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Diretoria do São Paulo precisa começar a cobrar mais dos jogadores

Fernando Diniz tem boa parcela de culpa do futebol ruim do time, mas os atletas, alguns deles omissos, não ficam atrás

Almir Leite

21 de agosto de 2020 | 15h17

A diretoria do São Paulo garante a permanência de Fernando Diniz. O presidente Leco e o diretor de futebol Raí dizem que o trabalho continua, apesar dos resultados sofríveis. Resultados que, se continuarem ruins, certamente farão os cartolas mudarem de ideia. É assim no futebol. Mas será que a parcela de culpa de Diniz é tão grande assim? Os jogadores não estariam sendo mais poupados do que merecem?

Diniz tem seus pecados. Vários. Peca, entre outros aspectos, por não conseguir dar padrão, consistência, ao time. Por não resolver os espaços que a defesa vive a dar ao adversário, em parte por causa da marcação alta, mas também por carências individuais dos defensores. Por não encontrar uma maneira de tornar o setor de meio de campo dinâmico e objetivo. Os jogadores, porém, também não andam colaborando muito.

Tome-se como principal exemplo Daniel Alves, o principal jogador do elenco. Aliás, um jogador que não admite críticas, pois, como dá a entender sempre ao rebate-las, considera que não há pessoas capazes e bem informadas o suficiente para contestar seu trabalho e o do grupo ao qual está i nserado. Sempre foi assim e há quem se iniba e evite “falar mal” dele.

Queridinho da torcida mais pelo passado brilhante passado do que pelo bom presente, a Daniel Alves não se pode negar a dedicação, a vontade de vencer, o desejo de colaborar. Isso não pode, porém, ofuscar suas falhas.

Em vários jogos, já tomou decisões erradas – como preferir acionar o companheiro em maior dificuldade do que outros mais bem colocados ou se meter na frente e tomar a bola de quem se prepara para chutar – em quantidade não admissível em alguém com a técnica do jogo e a experiência que ele tem. Os erros de passes também são muitos. Limitar-se a elogiar seus acertos e deixar de observar suas falhas não ajuda muito.

Reinaldo é outro bom exemplo. Injustamente criticado no passado – pela proporção, pois, para maior parte da torcida, qualquer erro dele se tornava um crime grave -, foi finalmente reconhecido. Teve seu esforço e bom futebol admitidos, a ponto de ser tratado como King Naldo. Mas parece que ele não percebeu que o apelido é uma maneira de apoio e tem entrado em campo com o rei na barriga e na cabeça. Joga com empáfia, e por isso rende pouco.

Arboleda parece ter entrado em fase de acomodação. Como Diniz preconiza o toque de bola e jogar com o goleiro, ele está se especializando em, quando a bola chega a seus pés, recuar para Tiago Volpi (no segundo tempo contra o Vasco, fez isso quatro vezes seguidas). Só que Diniz também pede a construção da jogada a partir da defesa. E o equatoriano muitas vezes evita arriscar um passe em direção ao meio de campo, ou lançar alguém pelo lado do campo. É mais seguro deixar o outro errar, se for o caso.

E Pablo, o que perde de chance de gol o menino?

O São Paulo não tem um elenco brilhante, conta com alguns atletas que já deram o que tinham de dar (alguns, como o recém-saído Pato, nem isso fizeram) e que devem sair até para aliviar as contas. Mas o grupo não é tão ruim assim, pode entregar muito mais do vem entregando. E isso não depende só de Diniz (ou do próximo treinador, quando este vier). Depende, acima de tudo, dos jogadores.