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Dome pagou o preço de ter de substituir Jorge Jesus

Espanhol era contestado desde que chegou para o lugar de alguém que ganhou quase tudo; e cometeu vários erros

Almir Leite

09 de novembro de 2020 | 15h18

Domènec Torrent chegou ao Flamengo credenciado pelo fato de ter sido auxiliar daqueles que muitos consideram o deus dos treinadores de futebol, Pep Guardiola. Mas tinha uma missão pra lá de espinhosa: substituir um treinador que ganhou quase tudo o que disputou. Jorge Jesus não viu seu prestígio diminuir um só milímetro nem mesmo depois de perder o Mundial de Clubes, visto que os próprios rubro-negros, no fundo, achavam que ganhar do Liverpool era um milagre.

Com o espanhol não. Já chegou sob desconfiança, por falta de currículo expressivo em trabalhos solo. E dele se exigia – de maneira velada, claro – que no mínimo repetisse a performance do português.

Estava na cara que não iria rolar.

Com todo o respeito ao Flamengo e a seu melhor elenco do futebol brasileiro, ganhar duas vezes seguidas o Brasileiro e a Libertadores – o que o clube ainda pode conseguir – não é tarefa assim tão fácil como levantar taça do Carioca.

Ou seja, Domènec Torrent já chegou para a guerra ferido.  Ou ganhava as duas competições ou rua.

Até porque tinha de passar por algumas batalhas antes. E aí ele se deu mal, em boa parte por sua própria culpa. Tomou mais alguns tiros porque não soube se proteger.

De cara, foi imprevidente ao querer alterar a forceps a maneira vitóriosa de o time jogar implantada por Jesus. Depois, mudou jogadores de função, desrespeitando características em alguns casos, indispôs-se com outros (como Arrascaeta), vivia alterando a escalação, algo que o jogador brasileiro ainda não digere muito bem (só quando está na Europa, quando fica pianinho) e, pecado mortal, não conseguiu consertar a peneira em que transformou a defesa do Flamengo.

Torcida e dirigentes do Flamengo, que no momento desfrutam da empáfia dos vencedores, jamais admitiram que o time caísse de quatro, mesmo nos tempos em que os elencos eram pra lá de medíocres. E Dome cometeu o sacrilégio de levar de 5 do Independiente del Valle e de 4 de São Paulo e Atlético Mineiro, estes últimos no intervalo de uma semana.

Estava na cara que teria consequências para o treinador, contestado dentro e fora do clube desde o momento em que foi contratado.

Ao aceitar o desafio de trabalhar no Flamengo e no complicado futebol brasileiro, Domènec Torrent queria dar um passo adiante na carreira. Acabou andando algumas casas para trás.

 

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