As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Dudamel já sente um “produto” bem brasileiro: a falta de paciência

Técnico ainda está em fase de adaptação ao país, ao futebol brasileiro e até ao trabalho em clubes. Mas já enfrenta forte pressão

Almir Leite

17 de fevereiro de 2020 | 15h56

Rafael Dudamel ainda não disse a que veio no Atlético-MG. O time não fez até agora um único jogo consistente, e a rigor não teve nem mesmo momentos que empolgasse de fato a torcida. A resposta a isso é a de praxe: críticas da torcida, da crônica esportista, de alguns conselheiros do clube. E a desconfiança de que foi dado um tiro n’água cresce a cada tropeço.

Dudamel está sendo vítima da tradicional falta de paciência do brasileiro quando se trata de futebol.  Por aqui, se quer sempre resultados imediatos. Dificilmente eles acontecem rapidamente, mas praticamente não nos damos conta disso.

O venezuelano precisa de tempo para mostrar se tem ou não condições de treinar um clube da estirpe do Atlético-MG. É preciso lembrar que ele tem pouca experiência no comando de clubes – treinou dois em seu país, onde o futebol nem sequer é o esporte preferido – e até a isso precisa de fato se adaptar.

Dudamel foi contratado pelos dirigentes do Galo por ter apreço pelo jogo ofensivo e por gostar de dar oportunidades a jovens jogadores. E pelo bom trabalho que fez nas seleções venezuelanas de base -a sub-20 ele levou ao vice-campeonato mundial – e mesmo na principal, que conseguiu alguns resultados expressivos, como vencer a Argentina, e deixou de ser o principal saco de pancadas do continente sul-americano.

Vida em clube é bem diferente. O trabalho é diário, os jogos ocorrem quase sempre três vezes por semana, a cobrança é diária, o convívio com os jogadores – por vezes insatisfeitos, contrariados, desconfiados, desligados e também relapsos – é constante… Além disso, Dudamel precisa se adaptar a um novo país, novo idioma, hábitos diferentes, e a um futebol forte, mas muito mais forte do que aquele com o qual estava acostumado. E a uma imprensa que tem via de regra tem na cobrança a sua engrenagem principal.

Ou seja, está claro que precisa de tempo. Tempo que o presidente Sergio Sette Câmara prometeu dar-lhe, até pelos dois anos de contrato que foi firmado. É certo que, caso as coisas não aconteçam, ele não precisará esperar tanto para mudar o rumo do vento. Mas agora precisa suportar a ventania.

Pouco menos de dois meses não são suficientes para avaliar ninguém, mesmo que o time venha ficando, jogo após jogo, exposto a contra-ataques e que peças como o volante Zé Welison pareçam fora do encaixe. Ainda assim, Dudamel precisa ter tempo e apoio para mostrar se é capaz de aperfeiçoar ou não o time.

Tendências: