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Dudamel, o mais recente exemplo da irresponsabilidade da cartolagem

Técnico tinha contrato de dois anos com o Atlético-MG, ficou 50 dias e o clube terá de lhe pagar "apenas'' R$ 7,2 milhões

Almir Leite

28 de fevereiro de 2020 | 14h57

Dudamel tinha contrato de dois anos, até dezembro de 2021, com o Atlético Mineiro. Durou menos de dois meses. Foi vítima de seus erros, mas principalmente da falta de paciência de torcida, imprensa e dirigentes. Não teve tempo para se adaptar ao Brasil como país, ao futebol brasileiro e à própria rotina de treinador de clube, uma vez que na prática essa experiência ele não tinha. Não conseguiu em nenhum momento implantar suas ideias de futebol e, a rigor, nem deixou que se percebesse se tinha ideias claras.

Esse é um problema. Apenas um deles. Dudamel passou pelo Atlético como várias treinadores passaram – são seis só na atual administração comandada por Sérgio Sette Câmara -, vai seguir a vida e logo será esquecido pelos atleticanos. Menos pelo pessoal do departamento financeiro do Galo, que de uma hora para outra “ganhou” uma continha de R$ 7,2 milhões para pagar.

Explica-se: esse e o valor que  Atlético terá de pagar ao venezuelano, correspondente ao que ele ganharia ao longo dos dois anos de contrato. Como os brilhantes e ótimos planejadores dos dirigentes do Galo o defenestraram ainda na reta de largada, ele terá o direito de receber de maneira rápida essa bolada.

Está aí um belo exemplo de gestão moderna. Um presidente que contrata, ou permite que seja contratado, um técnico sem currículo expressivo – apesar do excelente trabalho feito na seleção da Venezuela – e depois não dá a ele tempo para mostrar serviço e o demite, deixando uma dívida gigantesca para o clube. E nunca é demais lembrar que a situação financeira do Atlético Mineiro é, há anos, complicada, para dizer o mínimo.

É claro que agora o Atlético vai negociar com Dudamel e deve até conseguir um desconto. Mas vai ter que arcar com uma despesa extra de uma maneira ou de outra. Tudo por conta do amadorismo de seus dirigentes.

Em tempo: na projeção financeira para 2020, o Atlético estimou faturar R$ 39,5 milhões com premiações de torneios. Ao cair na primeira fase na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil, a projeção foi para o beleléu. Ganhou apenas R$ 3,7 milhões e, se quiser chegar perto da meta, o time terá de ganhar o título brasileiro, que deve pagar R$ 32 milhões ao campeão. Ou seja, vai ser difícil…

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