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Dungadas e cabeçadas

Almir Leite

30 de março de 2016 | 13h37

Dunga disse, após o empate que caiu do céu com o Paraguai, que no segundo tempo do jogo o Brasil aprendeu a jogar Eliminatória. Referia-se à vontade, garra, determinação. E ao sofrimento.

O blog não vai nem entrar na discussão filosófica dos benefícios do sofrimento, se é e quando existem, nem perder tempo discutindo vontade, garra, determinação, visto que são ingredientes obrigatórios no futebol e na vida.

Discussão boa, acredita o blogueiro, é por que Dunga não consegue fazer a seleção jogar bola.

De cara, esse papo de falta de tempo para treinar é verdade até a página 5. Dunga mantém essa base na seleção há bom tempo e, não se deve esquecer, que na rodada anterior das Eliminatórias, o Brasil, que exigiu, e o Uruguai, por ser o adversário, tiveram um dia a mais para treinar do que todas as outras seleções.

Dunga, em vez de arranjar desculpas inconvincentes e exaltar a “porrada” em vez da técnica, poderia rever alguns conceitos.

O posicionamento de Neymar, por exemplo. No Barcelona, ele rende porque é praticamente um ponta-esquerda – com liberdade de movimentação; na seleção, com essa história de jogar sem centroavante fixo e com Willian e Douglas Costa abertos, Neymar fica centralizado. Na teoria, tem liberdade para ir onde quiser; na prática, tem dificuldade de ser o falso nove. Recua demais e quando se vê de costas para o gol, não rende.

Na defesa, há Dungadas incompreensíveis. Por que não contar com Thiago Silva, que muita gente que entende de bola considera o melhor zagueiro do mundo (esse blogueiro não entende quase nada, mas concorda com quem entende), apesar do choro e da mão boba, e insistir com David Luiz, bom de marketing e propaganda, mas ruim de bola e de equilíbrio.

Outra questão: até o Stevie Wonder vê que  Marcelo, com uma perna só, joga mais do que o correto e eficiente, mas limitado, Filipe Luis.

Além disso, Luiz Gustavo, excelente marcador, anda em má fase faz tempo. E também não adianta colocar Fernandinho, ou Elias quando joga, para chegar na área toda hora. Dá impressão de ofensividade, mas é quanto à efetividade?

Tanto Elias como Fernandinho (que foi mal pacas contra o Paraguai) são bons jogadores. Mas têm de ser escalados como volantes que sobem, não como se fossem meias.

Há vários outros problemas. Mas haverá tempo para falar sobre eles.

Por fim, uma esperança: já que os atuais jogadores brasileiros aprenderam como se joga Eliminatória, quem sabe Dunga não se inspira e aprende a respeitar – sem deixar de olhar o que é feito de bom lá fora – as características do futebol brasileiro.

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