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E agora, José?

Almir Leite

24 de novembro de 2012 | 11h07

Há quem considere que Mano Menezes já vai tarde; outros entendem que agora é tarde demais para a seleção brasileira trocar de treinador.

Nem uma coisa nem outra.

Mano, apesar de fritado desde março, quando José Maria Marin e Marco Polo Del Nero assumiram o comando da CBF, teve chances para fazer os cartolas engoli-lo. Não conseguiu.

O sucessor terá ainda tempo de formar uma equipe forte para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.

Desde que seja escolhido por seu presente, e perspectivas de futuro, não pelo passado.

Até porque, goste-se ou não, a base da nova seleção será formada por esses jogadores que vinham sendo escalados com mais frequência por Mano.

Vamos ser realistas: não temos muito mais do que isso. E, convenhamos, temos uma boa geração.

Mano caiu por sua insegurança, pela demora em encontrar uma equipe-base, por colocar a seleção na defesa em jogos mais complicados, por não ter sabido escolher seus assessores diretos…

Enfim, por não se mostrar um técnico de seleção.

Mas caiu, sobretudo, por ser herança da administração de Ricardo Teixeira.

Pessoas ligadas ao ex-presidente – que quando precisou sair de cena colocou Marin e Del Nero no poder – não são bem-vindas nesses “novos tempos” de CBF.

Era para ter saído em março; ou após o fracasso olímpico; ou ao morder alguma das muitas iscas lançadas por Marin e detonar o chefe; ou quando, pressionado e desprestigiado, pedisse para sair.

Não fez nada disso, mas sempre deu respostas, indiretas, às críticas do cartola. Foi irritando cada vez mais  Marin.

E como a seleção só jogou bola mesmo contra adversários medíocres, acabou dançando.

Não surpreende. Mas é bom ressaltar que ele cai quando finalmente havia encontrado um time-base e um jeito de jogar – pelo menos contra os pequenos.

Agora, resta torcer, e esperar, que a CBF seja objetiva, e não política, na escolha do novo treinador.

Do contrário, será tempo perdido. E, aí sim, não dará mais tempo.

 

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