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E Del Nero dobrou os clubes

Almir Leite

09 de junho de 2015 | 10h15

Foi mais fácil do que até o próprio Marco Polo Del Nero pensava.  Ele não precisou fazer muito esforço para obter o apoio quase integral  dos clubes da Série A  do Brasileiro – com exceção do Corinthians, porque Andrés Sanchez não deixa – num momento em que está fragilizado e com o cargo, do qual não pretende abrir mão, em risco.

Desde que o escândalo envolvendo Fifa e CBF estourou, Del Nero se articula para não escorregar da cadeira na qual tanto sonou sentar. E adotou a estratégia de dispor dos anéis para salvar os dedos (talvez dispor dos colares para salvar o pescoço seja mais apropriado nesse caso).  E, com facilidade impressionante, vai conseguindo apoios.

Convencer os clubes foi simples. Deu a eles poder e voz ativa na organização do Campeonato Brasileiro. Poderão, a partir de agora, participar da elaboração, ou elaborar, da fórmula (voltará o mata-mata?), regulamento, tabela, arbitragem, distribuição de cotas entre outros aspectos. E a CBF não poderá mais vetar as propostas dos clubes.

Dizem que é quase uma liga, Não é. Liga é totalmente independente – tem domínio, por exemplo, sobre todos os contratos comerciais, algo que o Brasil continua em poder da CBF -, algo que os clubes não são.  No máximo é um embrião da liga, como disse o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar.

Mas nem isso é. Afinal, como os clubes não se entendem por não perderem a mania de olhar para o próprio umbigo, acabam enfraquecidos e decisões importantes, principalmente as envolvendo dinheiro, acabam ficando para a CBF.

Os clubes, porém, se sentem fortalecidos. E de fato estão. Oxalá usem essa força para trabalhar em conjunto – já começaram mal, convidando um representante do Bom Senso FC para a reunião em que discutiram a criação da Liga, realizada após o encontro com Del Nero, o que fez o presidente do Santos abandonar a discussão. (Em tempo: a ideia de levar o Bom Senso à discussão é muito sadia, mas não ter avisado todos os participantes foi bola fora.)

Só por aí se tem uma ideia da dificuldade dos clubes em entrar num acordo. E, enquanto isso, Marco Polo ganha fôlego.

Até porque, com a federações, o apoio é grande. Limitar mandatos (quatro anos com uma reeleição é alteração no estatuto da cBF decidida, até por ser inevitável) e apenas o único afetado, Delfim Peixoto, é contra o fim do artigo que determina que o vice mais velho assuma a presidência em caso de vacância do cargo.