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E se o Brasil cair no grupo da morte?

Almir Leite

29 Novembro 2017 | 15h47

Com a aproximação do sorteio dos grupos da Copa da Rússia – será na sexta-feira, 1º de dezembro -, tornaram-se comuns os palpites sobre o caminho do Brasil. A “bolsa de apostas” ganhou corpo a partir do momento em que a Fifa anunciou os critérios do sorteio e revelou a composição dos potes. A partir daí, simulações, palpites, comentários tiveram, e têm, na maioria, um aspecto comum: levam à possibilidade de a seleção cair no grupo da morte.

É possibilidade real. Afinal, como o tal pote 2 o adversário do Brasil sairá do grupinho formado por Espanha, Inglaterra, México e as mais fraquinhas Suíça e Croácia, a probabilidade de enfrentar logo de cara espanhóis (como em 1986, quando eles não eram lá essas coisas), ingleses (como em 1970) e mexicanos (como em 2014) é considerável. E na sequência a bolinha apontar rivais como Dinamarca, Nigéria, Marrocos não é hipótese tão remota assim?

Mas e daí? E se o Brasil cair no grupo da morte? Se isso acontecer, não vejo grande problema. Temos uma boa seleção, que tem jogado bom futebol, empolgante às vezes, que recuperou a confiança, e que pode enfrentar qualquer adversário de frente (algo que a seleção da Copa de 2014, por exemplo, não tinha condições de fazer, se meteu a besta e deu no que deu).

Sem contar que seleção de primeira linha que não vai bem na primeira fase, independentemente da força do grupo, tem mais é de enfiar o rabo entre as pernas e voltar para casa – a França de 2010 e a Itália de 2010 e 2014 que o digam.

Dessa maneira, se o Brasil cair no grupo da morte vai ser bom para alimentar polêmicas. Mas, de prático, não deverá fazer diferença significativa.

Tite, no fundo, sabe disso. Tanto que, apesar de dizer que ele e sua comissão técnica fizeram “quinhentas simulações”, não anda dando muita importância a essa possibilidade. Prefere até ver o lado bom. “Às vezes, pegar um grupo difícil pode fortalecer a seleção para as próximas fases”, disse ao chegar a Moscou para o sorteio, declaração captada pelo sempre ligado Jamil Chade.

O treinador tem preferências bem mais concretas. Gostaria, por exemplo, que o Brasil ficasse no Grupo B, pois assim vai estrear em Sochi, além de percorrer uma distância menor em viagens na primeira fase. Ou no G, que prevê estreia também para Sochi, além de ela ocorrer apenas no dia 18, o que daria tempo maior de preparação.

São desejos, interesses, preferências concretas. Têm fundamento estratégico e técnico.

O resto é perfumaria. Para quem tem ambições numa Copa do Mundo, adversário não pode fazer diferença.