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Diniz à parte, falta de iniciativa dos jogadores é a principal causa do desastre do São Paulo

Fernando Diniz não anda colaborando muito, mas atletas sem vontade, apáticos, omissos é que afundam o time no momento decisivo

Almir Leite

21 de janeiro de 2021 | 14h34

Pode até acontecer de o São Paulo se recuperar e terminar o Brasileirão como campeão. O futebol é imprevisível, e isso é fundamental para lhe dar graça. No entanto, no futebol também existe a lógica, a racionalidade. E, por esse ângulo, tudo indica que o Tricolor paulista não vai conseguir achar o caminho perdido.

A derrota por 5 a 1 para o Inter foi catastrófica, humilhante, desconcertante. Teve tom de fim da linha. Uma observação mais aguda, porém, mostra que o massacre de quarta-feira no Morumbi foi apenas consequência da rota ladeira abaixo em que o São Paulo entrou inexplicavelmente nas últimas semanas.

Inexplicavelmente? Sim. A não ser que aceitemos placidamente os argumentos que andam sendo dados para o desastre.

Ah, o time perdeu a confiança e ficou abalado psicologicamente com a eliminação na Copa do Brasil. “Pera” aí! A queda diante do Grêmio ocorreu em 30 de dezembro. Naquela altura, o time liderava com folga o Brasileirão, sete pontos à frente do segundo colocado, na época o Atlético-MG (56 a 49). Ou seja, tinha um belo horizonte à sua frente.

Claro que uma eliminação mexe com jogadores, principalmente os que são comprometidos. Mas a dinâmica do futebol exige que esses revezes sejam superados rapidamente. Até atletas jovens aprendem isso logo, o que dirá gente rodada como Daniel Alves, Juanfran (disputou até Copa do Mundo), Reinaldo, Arboleda, Bruno Alves, Hernanes?

A eles cabia ajudar na reação psicológica dos mais novos. Pelo que se vê dentro de campo, e em declarações como as do espanhol, aconteceu o contrário: eles se deixaram levar pelo baixo astral.

Outro motivo apontado foi que Fernando Diniz perdeu o grupo depois da insana, estúpida e desrespeitosa, para dizer o mínimo, atitude contra Tchê Tchê. É fato que os jogadores não gostaram, tomaram as dores do volante, que vieram à tona no grupo situações do passado que não chegaram ao conhecimento público. Mas eles também pesaram o lado positivo de Diniz e decidiram tocar o barco.

Há quem diga, porém, que os jogadores resolveram fazer corpo mole e errar propositalmente para minar Diniz. Não creio que seja por aí. É só lembrar alguns fatos, cronologicamente. Reinaldo já vinha jogando mal bem antes da briga.

E Daniel Alves, aquele que não aceita críticas e que conta com uma inexplicável boa vontade da imprensa (que finalmente resolveu admitir que ele não está jogando nada com léguas de atraso). Só para resumir, basta lembrar que os dois gols que ele doou ao Bragantin foram dados antes de Diniz espinafrar Tchê Tchê. E que há meses ele vem errando mais do que acertando – e só os acertos eram destacados.

Ou seja, Daniel Alves está mal porque está, não por bronca com o treinador. O mesmo vale para Reinaldo, que parece ter acreditado que é King (é só uma brincadeira carinhosa da torcida Rei… naldo).

Também se fala que a chegada de Muricy foi fora de hora e que a saída inimente de Raí também mexeu com o grupo.

Com todo respeito, e sem fechar os olhos para os equívocos irritantes de Diniz ao não flexibilizar sua proposta de jogo, creio que a queda do São Paulo ocorre porque falta verg… de garra dos jogadores, coragem, vontade de vencer. Parece que se borraram com a possibilidade de ser campeões. E, se for realmente isso, nem Cristo salva. Restará ao presidente Casares fazer uma limpeza geral após o pesadelo acabar.