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Faltou respeito da cartolagem do Corinthians com Jair Ventura

Processo de fritura do técnico, em fogo alto e com duração de semanas, "primou'' pela falta de ética.

Almir Leite

03 Dezembro 2018 | 17h25

Jair Ventura fez um trabalho bastante ruim no Corinthians. Não me refiro apenas ao aproveitamento – baixíssimos 31,11% em 19 partidas, com apenas quatro vitórias, seis empates e nove derrotas -, mas também ao fato de, mesmo considerando-se as limitações do elenco, ele optado por um esquema superdefensivo sempre, sem ousadia, sem ambição, a ponto de ter passado um jogo sem concluir uma vez sequer contra o gol adversário.

Também não sou adepto da tese de que técnico SEMPRE precisa ter tempo para trabalhar, que precisa ficar muitos meses, de preferências anos no clube. É a situação ideal. Mas, sobretudo, considero que, quando o dirigente percebe que o treinador não vai levar o time a lugar nenhum, tem de trocar.

Para evitar que isso ocorra, a melhor maneira é ter critério na contratação do treinador. Estudar bem, ver se o cortejado atende às necessidades da equipe, do clube, da torcida. Dessa maneira, o risco de o trabalho não dar certo é bem menor.

Foi o que o Corinthians não fez ao contratar Jair Ventura. Desde o início, ficou claro que ele foi contratado porque estava disponível do mercado, após fazer um trabalho igualmente ruim no Santos. A opção pelo treinador foi na base do “seja o que Deus quiser!”

Como Deus tem coisa mais importante com que se importar, Jair chegou no meio de uma decisão – da Copa do Brasil -, logo após o clube negociar vários jogadores e, pressionado pela necessidade de resultados, não conseguiu fazer um bom trabalho.

Isso logo ficou claro. Assim como a necessidade de buscar novo rumo para o Corinthians em 2019.  Aceitável. Mas a maneira como a diretoria do clube rifou o treinador, misturando críticas veladas como reprovações claras, num processo que começou há várias semanas, e negociando claramente com Fábio Carille, é um imperdoável desrespeito ao profissional e ao ser humano.

Até porque, de acordo com Ventura, ninguém teve a coragem de “chegar nele” e dizer, pelo menos, que sua batata estava assando. A ponto de, depois da derrota para o Grêmio, ele dizer que continuaria trabalhando no planejamento para 2019.

É óbvio que Jair Ventura percebeu que não ficaria. Até as pedras das alamedas do Parque São Jorge já sabiam disso. Mas não é essa a questão e sim a maneira primaria e desrespeitosa como os dirigentes trataram o treinador. Algo que não se deve admitir nem no futebol nem na vida.