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Fernando Diniz irritou os jogadores do São Paulo, mas o grupo está com ele

Episódio Tchê Tchê não será preponderante em eventual perda do título; erros do técnico e comportamento dos atletas, sim

Almir Leite

11 de janeiro de 2021 | 13h54

Fazer análise em cima do resultado é uma das situações mais fáceis no futebol. É engenharia de obra pronta. Ganhou, está tudo bem. Perdeu, está tudo mal. Quando a derrota acontece após algum atrito, então, aí é crise. O técnico perdeu o grupo, há problema de relacionamento entre os jogadores, o elenco está descontente com a diretoria, os atletas perderam o foco …

É o que está acontecendo com o São Paulo. O time levou duas sapatadas seguidas e na primeira aconteceu a reação destemperada de Fernando Diniz com Tchê Tchê. O técnico passou, e muito, do ponto. Em seguida, o time perdeu dos reservas do Santos, numa partida em que voltou a jogar mal – embora tenha criado algumas chances e parado no bom goleiro João Paulo – e já há uma ala dizendo que Diniz perdeu o grupo por causa do episódio com Tchê Tchê e, em consequência, o São Paulo vai ver a taça escorrer pelas mãos.

Não é assim. Informação de bastidores apurada pelo blog dá conta que os jogadores ficaram na bronca com Diniz. “Ficaram p…”, disse textualmente a fonte. Revelou também que, apesar de todos estarem acostumados com o “jeito Diniz de ser”, às vezes há quem se irrite com os pitis do treinador – e que isso já levou até jogador que dificilmente perde a calma a discutir com ele.

Mas Fernando Diniz não perdeu o controle. Sua atitude de pedir desculpa pelo excesso, a Tchê Tchê e ao grupo, foi bem recebida. E os jogadores gostam dele, por suas ideias sobre o futebol e também porque se preocupa com eles para além do campo e do vestiário, se interessa pelo bem-estar e pela evolução deles como profissionais e cidadãos.

O esculacho em Tchê Tchê – que espera-se, não seja repetido, pois aquilo é bem diferente de cobrança ou bronca – não será preponderante em uma eventual perda do título pelo São Paulo.

A taça vai escapar por culpa de Diniz se ele insistir em confundir convicção com teimosia e não arrumar um plano B para quando sua proposta preferida de jogo não estiver dando certo. Ou se os jogadores não assumirem responsabilidades dentro de campo nos momentos de dificuldade, se adotarem a soberba ou, ainda, se começarem a “tremer” diante da possibilidade de serem campeões.