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Fifa terá coragem de punir, de fato, os clubes ingleses e espanhóis?

Negativa dos clubes mais poderosos do mundo em liberar seus jogadores para seleções coloca a entidade entre a cruz e a espada

Almir Leite

25 de agosto de 2021 | 14h43

Poder, pode. Mas será que a Fifa terá coragem de punir dezenas de clubes da Inglaterra e outros tantos da Espanha, entre eles todos os maiores e mais poderosos, por se recusarem a liberar jogadores para as seleções disputarem jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo dá…  Fifa? Aliás, a melhor pergunta nem é essa e sim qual será a real extensão e importância, na prática, de uma eventual punição a esses clubes.

Aposto que não fará muita coisa além de cócegas.

A situação é delicada. Estatutariamente, ou em miúdos, pelas leis que regem o futebol,  a Fifa está com a faca na mão.  Pode, por exemplo, impedir que o clube utilize o jogador não liberado pelo período em que ele ficaria à disposição da seleção de seu país e por mais cinco dias. Pode multá-lo. Fazer com que perca pontos em competições. Até rebaixá-lo em campeonatos.

Gianni Infantino, o presidente da Fifa, precisará de muita habilidade para apagar o incêndio

O problema, nessa briga, é que os clubes são os queijos.  E muitos deles são queijos supervalorizados, como o Pule, da Sérvia, ou o francês Beaufort D’eté.  Queijos caros. Não dá para sair comprando por aí.

E nem brigando, no caso dos clubes. Encarar ao mesmo tempo Manchester United, City, Liverpool. Chelsea, Real Madrid, Barcelona, só para citar meia dúzia, é pedir para apanhar. Ainda mais quando eles têm o apoio de entidades como Premier League e  La Liga.

Por isso, a Fifa ameaça em público, para manter as aparências, e negocia de forma privada, porque sabe que tem muito a perder e pouco a ganhar. Até porque a Fifa vive do futebol das seleções, mas como elas são formadas a partir dos clubes, no frigir dos ovos são eles que enriquecem a entidade.

A Fifa tenta convencer o governo inglês a relaxar a quarentena a que teriam de se submeter os jogadores de seleções dos países da “linha vermelha”. Parece difícil, pois o próprios clubes já tentaram e ouviram um “não”.

Se não chegar a um acordo e os clubes cntinuarem batendo o pé, é provável que a Fifa dê um pito geral nos insurgentes, aplique multas que podem parecer altas, mas que não abalarão nenhuma estrutura. Pode até impedir, no caso dos ingleses, que utilizem os não liberados.  Nessa hipótese, os clubes ainda sairão ganhando, pois ficariam sem os atletas por menos tempo do que se eles tivessem que cumprir quarentena quando voltassem ao Reino Unido.

O fato é que esse impasse, que não deve ser atribuído apenas a uma consequência da pandemia, poderá fazer a Fifa rever o calendário do futebol. É esperar para ver.

E, especificamente sobre o Brasil, CBF, seleção e clubes poderão ser bastante afetados. Mas isso é tema para o próximo post.