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Flamengo é afetado pela soberba, não pela ameaça de perder Jesus

Ar de superioridade que se observa no semblante e no comportamento dos jogadores faz muito mais mal ao time do que a possível saída do português

Almir Leite

13 de julho de 2020 | 16h13

A diretoria do Flamengo forçou a barra para a volta do futebol. Mas, com a bola rolando, o time, com os mesmos excelentes jogadores, não tem conseguido mostrar o brilho pré-pandemia. Isso levou muita gente a sair atrás de explicações. Para boa parte desses “detetives”, a queda de rendimento tem a ver com a possibilidade de Jorge Jesus aceitar voltar para a sua verdadeira casa, o Benfica. Respeito, mas discordo.

O problema do Flamengo é outro. É a soberba. Soberba não no sentido de orgulho, mas de arrogância, empáfia, do ar de superioridade que se pode observar na expressão de jogadores, na dificuldade de seu Jesus em ter meio por cento da humildade daquele que lhe inspirou o nome, das atitudes e declarações de atletas experientes e consagrados como Rafinha.

É essa soberba que tornou o time preguiçoso, precunçoso. Esse convencimento de que ganha o jogo quando e como quiser.  Quando isso acontece, o futebol some até que as cabeças voltem ao lugar.

É claro que o Fluminense, para citar os dois jogos em que ficou clara a queda do Flamengo, fez a sua parte muito bem feita. Marcou bem, agrediu, tirou espaço de criação dos volantes e meias do rubro-negro. Impõs alguma dificuldade ao melhor time das Américas. Tem muitos méritos.

Mas também foi  ajudado pelo fato de o Flamengo, dentro de campo, adotar a pobreza de espírito e a prepotência que caracterizam seus dirigentes atuais,

Não há dúvidas de que o Flamengo tem o melhor elenco do futebol brasileiro. Que sobra na turma quando quer. Que é favorito nas competições em que está envolvido e nas em que irá se envolver. Assim será com ou sem Jorge Jesus.

Uma coisa, porém, é ter consciência do poderio e confiança na sua capacidade – individual e, no caso do futebol, na coletiva também. E não existe problema algum em reconhecer a própria competência. É até bastante salutar. Mas confiança é bem diferente de soberba.

Na quarta-feira, ainda sob o comando do “mister”, o Flamengo é favoritaço ao título carioca. Por ser melhor quando decide jogar – e às vezes até quando não faz tanta questão assim – e por raramente perder. E o Fluminense tem de vencer, algo que vem tendo dificuldade para fazer.

Mas a soberba que tomou conta da Gávea pode dar chance ao humilde e esforçado Tricolor. E, se um tropeço acontecer , não me venham dizer que o risco de o competentíssimo mister levar sua presunção de volta para Portugal foi o motivo.  Isso não será nada mais do que conversa para urubu dormir.

 

 

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