Flamengo leva Supercopa, mas futebol brasileiro é que sai ganhando
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Flamengo leva Supercopa, mas futebol brasileiro é que sai ganhando

Jogo de altíssimo nível entre as duas melhores equipes do País mostra que, quando se joga para a frente, todos saem vencedores

Almir Leite

11 de abril de 2021 | 14h16

Foi uma grande decisão, digna dos dois melhores times do Brasil na atualidade.

Decidida nos pênaltis, ou, pegando emprestadas duas expressões do tênis,  no tie break,  nos match points.

O Palmeiras teve dois a seu favor. Desperdiçou. O Flamengo também não soube aproveitar o seu primeiro.

No segundo, Rodrigo Caio  não vacilou.

O título da Supercopa está bem entregue ao Flamengo.  Como estaria se estivesse com o Palmeiras.

Flamengo conquistou a Supercopa pela segunda vez seguida, em jogo valorizado pela ótima atuação do Palmeiras

Cada uma a seu jeito, as duas equipes jogaram muito bem.

O Flamengo tem a atraente, corajosa e superelogiosa veia ofensiva.

É de se exaltar um técnico, que ainda tem muito a evoluir, ter a coragem de colocar um volante na zaga e um meia de volante, privilegiando a qualidade técnica do time, o jogo ofensivo, a busca incessante do gol.

Mas o Flamengo ainda sofre com a vulnerabilidade dessa proposta – que Rogério Ceni tentou consertar na etapa final com a entrada de João Gomes – e precisa desenvolver uma alternativa tática para os momentos em que o adversário o obriga a ser  mais precavido.

A proposta de jogo atual faz o clube depender muito dos seus ótimos jogadores. Mas quando alguns deles não estão bem, a coisa complica.

Foi o caso deste domingo, quando Gerson, Everton Ribeiro e Bruno Henrique jogaram mal.

Abel Ferreira tem mais facilidade em fazer alternâncias, para o início e no decorrer da partida.

Na decisão da Supercopa, esperava-se que o Palmeiras marcasse mais atrás, posto que a saída de bola do Flamengo é de bastante qualidade.

Abel fez o contrário. Adiantou a marcação, justamente para impor dificuldade na saída do rubro-negro.

Assim o Palmeiras conseguiu o primeiro gol. Um golaço, ressalte-se.

Ele também agiu bem ao consertar no intervalo a principal falha do time na etapa inicial – a deficiência na marcação dos meias do Flamengo, o que sobrecarregou demais Felipe Melo.

As entradas de Danilo, principalmente, e de Gabriel Menino, corrigiram o problema.

Outro mérito palmeirense na etapa final foi trocar de função com o Flamengo.

O time passou a pressionar, em vez de deixar tal iniciativa com o adversário.

E os cariocas sentem-se bastante desconfortáveis quando são acossados.

Pelas alternativas, o empate do tempo normal acabou refletindo o que ocorreu no gramado do Mané Garrincha.

Pênalti não é loteria, mas detalhes como a qualidade e a condição psicológica do batedor no momento da cobrança e a qualidade dos goleiros podem fazer diferença.

Nesta final da Supercopa, fez a favor do Flamengo.

Mas ficou a impressão de que, se o Flamengo tem melhores jogadores quand0 se analisa o time titular, o Palmeiras tem elenco mais completo e com mais alternativas táticas.

Por isso, devem continuar dando as cartas no futebol brasileiro.