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Fred e Jô mostram que clubes brasileiros não se desligam do passado

Fluminense e Corinthians trazem de volta ídolos pelo que fizeram no passado, e não por aquilo que poderão (ou não) fazer

Almir Leite

05 de junho de 2020 | 16h32

Fred saiu do Fluminense em 2016, após sete anos, dizendo que voltaria. A torcida, com exceção do pequeno grupo que regulava as caipisaquês que ele tomava em suas horas de folga, não queria que fosse embora. Mas o alto salário e o incômodo do técnico Levir Culpi com as regalias do atacante o tiraram das Laranjeiras.

Jô deixou o Corinthians no apagar de 2017 dizendo que voltaria.  Foi para o outro lado do mundo para solidificar sua situação financeira e também para ajudar o clube a aliviar um pouco as suas já naquela época conturbadas finanças. Desde sua saída, o Alvinegro não conseguiu um substituto realmente à altura, e a torcida passou a sentir saudade dele.

O tempo passou, o futebol parou, mas Fred e Jô – para que não se lembra, os dois centroavantes escolhidos por Felipão para a Copa de 2014 – se movimentaram em busca de seus objetivos.

Fred, depois de peregrinar pelos dois grandes de Minas, sua terra natal, está de volta à sua casa, ou seja, ao Fluminense; Jô, encostado há meses no Nagoya Grampus, está perto de retornar ao seu ninho – foi o Corinthians que o revelou antes de ele ganhar o mundo pela primeira vez.

Ambos voltam porque se empenharam para isso, mas também porque os presidentes de Flu e Timão, Márcio Bittencourt e Andrés Sanchez, fizeram grande esforço para viabilizar o retorno.

Fred e Jô são ídolos em seus clubes (arrisco até a dizer que Fred é o maior expoente do Fluminense neste século e que o Tricolor não tinha um ídolo de tão estirpe há mais de três décadas, desde os tempos do casal 20 – Assis e Washington – e de Romerito, na primeira metade dos anos 80 do século passado).

Mas darão, dentro de campo, o retorno que se espera deles?

Fred sabe fazer gol; Jô também, em menor escala. O problema é que não são mais garotos e, por isso, deverão ficar cada vez mais dependentes do resto do time e de parceiros que os coloquem na cara do gol. Não parecem ter mais forças para também colaborarem no desenvolvimento das jogadas. A tendência é que sejam cada vez mais finalizadores.

Assim, se o time de veteranos do Flu não colaborar, e muito, Fred não será o artilheiro que a torcida espera. Da mesma forma, se Tiago Nunes não encaixar bem o esquema do apenas esforçado time corintiano, ficará difícil para Jô fazer gols salvadores, como fez várias vezes no passado.

Isso significa então que foi mal negócio contratá-los? Não necessariamente. Mas, em um futebol como o brasileiro, que entre seus antagonismos tem a mania de não preservar a história, mas adora trazer novamente para os clubes jogadores pelo que fizeram no passado, será fundamental que torcida e dirigentes entendam que o Fred e o Jô que retornam não são os mesmos que saíram.

Do contrário, a frustração será grande.

 

 

 

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