As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Futebol brasileiro começa a preparar a volta

Clubes e federações discutem maneiras de fazer a bola rolar novamente

Almir Leite

13 de abril de 2020 | 15h36

Ainda não é possível, nem prudente, afirmar que a paralisação do futebol brasileiro está com os dias contados. Clubes e federações, porém, já começam a articular o retorno das atividades.  O objetivo é que a bola volte a rolar na segunda quinzena de maio.

A ideia é de um retorno gradativo, que respeite ao máximo a segurança (entenda-se saúde) de jogadores, treinadores, demais membros das comissões técnicas, enfim, de todos os obrigatoriamente envolvidos com um jogo de futebol. Mas a roda tem, na visão dos dirigentes, de girar novamente, pois a grana, naturalmente já curta, está cada vez mais rala.

As discussões pró-volta ganham corpo. Nesta terça-feira, por exemplo, a Comissão Nacional de Clubes vai se reunir, virtualmente claro, para discutir a venda dos direitos internacionais do Campeonato Brasileiro. E será inevitável que o tema fim da paralisação entre na pauta, mesmo porque só se vende um produto se ele existir para negociá-lo ou se for possível garantir a encomenda.

E não se deve esquecer que, antes de dar início ao Brasileirão, é preciso concluir os Estaduais – algo de que a maioria dos clubes e a totalidade das federações não abrem mão.

É isso que será discutido na quarta-feira entre os clubes paulistas e a federação. É isso que tem sido discutido desde a semana passada entre os clubes cariocas e a federação – busca-se um “protocolo médico” para que os jogos possam ser retomados. É isso que parece estar quase certo em Santa Catarina, onde a inclinação é que os jogos voltem com portões fechados.

Fechar os portões é uma das opções estudadas. Adotar a limitação de pessoas no estádio, como fez a Alemanha – o que exclui a torcida -, é outra alternativa. Em São Paulo, vai se discutir adotar duas sedes que dividiriam todos os jogos. O argumento, discutível,  é de que isso evitaria aglomerações.

O mais provável é que ocorra um retorno gradativo das atividades, como sensatamente já colocou o secretário-geral da CBF, Walter Feldmann. Mas é arriscado tentar mirar na segunda quinzena de maio, que é justamente um período em que a pandemia deverá estar no ápice no Brasil, segundo os especialistas no assunto – evidentemente os mais indicados para falar sobre um assunto tão grave.

Por isso, e apesar da vontade de clubes, dirigentes e a saudade de jogadores e torcedores, e apesar também de todos os movimentos da cartolagem, a bola ainda deve demorar bastante para voltar as rolar.