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Futuro de Tite poderá ser bem longe do Brasil

Proposta milionária da China terá peso na decisão do treinador, que pode sair mesmo se for campeão da Copa América

Almir Leite

05 de julho de 2019 | 19h08

Tite fica ou não na seleção brasileira após a Copa América? Sai por livre e espontânea vontade ou “será saído” no
caso de uma improvável derrota para a seleção do Peru? O futuro do treinador na CBF tornou-se assunto preferencial
às vésperas da decisão da Copa América. É até meio estranho que isso esteja ocorrendo neste momento. Há, porém,
algumas razões.

Apesar das seguidas declarações do presidente da CBF, Rogério Caboclo, dando conta de que Tite, que tem contrato
até o final da Copa do Mundo de 2022, prosseguirá com qualquer resultado, a história não é bem essa. O dirigente de
fato tende a manter o treinador, mas não faz tanta questão assim que ele permaneça.

O técnico sente-se um pouco desconfortável pela perda de integrantes da comissão técnica e pelas críticas que vem sofrendo pelo fato de a seleção, a rigor, não ter evoluído depois da Copa da Rússia. Além disso, tem motivo forte para abandonar o barco no meio do Rio.

Vamos por partes, então.

Tite não gostou de perder três de seus parceiros na comissão técnica: Sylvinho, que trocou a função de seu auxiliar
pela de técnico do Lyon; Edu Gaspar, que vai trocar a coordenação de seleções da CBF por um cargo de direção no
futebol do Arsenal; e Fernando Lazaro, analista de desempenho que vai trabalhar com Sylvinho na França.

Mas ele não poderá usar isso como desculpa para uma eventual saída.

O treinador sabe desde o dia seguinte à derrota para a Bélgica, quando Caboclo deixou acertada a renovação de seu
contrato, que ele e sua comissão não teriam mais a total autonomia de que desfrutaram desde que assumiram, em 2016,
até o dia em que a seleção foi eliminada da Copa da Rússia. A partir daquele momento, se concordasse em renovar contrato, todo planejamento teria de passar pelo crivo da direção da CBF para ser aprovado ou rejeitado.

Isso foi deixado claro a Tite pelo então CEO da CBF por causa de vários equívocos cometidos na logística e preparação para a Copa da Rússia. Tais como a escolha de Sochi, lugar em que a seleção não jogou, como quartel-general da equipe; a farra em que se tornou a presença de familiares dos jogadores junto da delegação, com parça de jogador discutindo com jornalista por causa das críticas feitas ao desempenho do “amiginho”,  amigo de jogador colocando em rede social imagens de treinos fechados e mulher de jogador machucado criticando o tratamento médico do maridão…

Ou seja, Tite ficou sabendo em 8 de julho que a comissão técnica teria as asas cortadas, mesmo que não ocorresse
mudanças de nomes. Algo, aliás, não descartado à época.

Claro que ele preferia que Edu, Sylvinho e Lazaro permanecesse e pessoas próximas ao treinador dizem que ele ficou
chateado porque a CBF não fez muito esforço para mantê-los. Mas não pode dizer que as coisas mudaram à sua revelia,
mesmo que os substitutos que a entidade irá escolher não passem por sua aprovação.

Por isso, se optar por abandonar o sonho de ser campeão do mundo pela seleção em 2022, Tite o fará por outro
motivo. Os comentários são de que ele tem proposta milionária do futebol chinês – seria do Beijing Guoan -, com
amplos poderes de montar time, comissão técnica e sem a pressão que sofre na seleção.

E com uma vantagem extra, no caso de o Brasil confirmar o favoritismo e conquistar a Copa América: ele sairá por
cima.

Caboclo observa tudo com tranquilidade. Não tem mesmo a intenção, pelo menos até esta antevéspera da decisão, de demitir Tite mesmo em caso de derrota para o  Peru – a não ser que seja algo vexatório. Mas, a exemplo do que fez com Edu e Sylvinho, não impedirá o técnico de sair, se ele assim o quiser.

Caso isso ocorra, a vez será de Renato Gaúcho.

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