As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Guerra continua e dívida dos clubes só aumenta

Almir Leite

19 de janeiro de 2015 | 10h36

As férias acabaram, 2015 está aí, mas no futebol brasileiro assuntos não resolvidos em 2014, e em anos anteriores, continuam com destaque.

E a lenga-lenga também continua, óbvio.

Exemplo mais do que concreto disso é a eterna discussão sobre o pagamento das dívidas fiscais e tributárias dos clubes brasileiros – que, enquanto se discute, não é paga e já ultrapassa em muito a casa dos R$ 4 bilhões declarados ou, melhor, admitidos.

Há luta ferrenha para enterrar antes de nascer a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, projeto que bem ou mal está sendo conduzido pelo governo federal, com participação dos jogadores de futebol, via movimento Bom Senso, de outros esportes, e também de clubes e da CBF, embora estes torçam o nariz para o que está sendo elaborado.

A CBF e o clube querem, pressionam mesmo, que a presidente Dilma Rousseff aprove o artigo colocado de contrabando numa Medida Provisória que originalmente nada tinha a ver com as dívidas dos clubes, a MP 656/2014, e que prevê novo parcelamento da dívida, com prazo maiores para pagamento e juros e multas menores.

O problema principal é que o tal artigo não exige nenhuma contrapartida.

Em entrevista concedida a este repórter e blogueiro, e ao repórter Marcio Dolzan, publicada domingo último nas páginas do Estadão e também no Portal, o futuro presidente da CBF – mas já presidente de fato -, Marco Polo Del Nero, disse que a dívida pelas regras atuais é “quase impagável”, defendeu a aprovação da MP e garantiu que, uma vez aprovada, a CBF vai estabelecer, ela, regras para o fair play financeiro e fiscal dos clubes.

Regras que determinarão até eliminação de times de campeonatos se atrasarem salários ou não honrarem a dívida renegociada.

Entende ele que cabe ao futebol, no caso, determinar a fazer cumprir as regras saneadores dos clubes de futebol.

Apesar de a dívida ser com organismos fora futebol, como o governo.

De fato, a CBF já fez publicar um Regulamento Geral de Competições para 2015 que prevê punições para quem não andar na linha. Mas sua implantação, na realidade, depende da aprovação do tal artigo contrabandeado.

Como gato escaldado tem medo de água fria, e todas as tentativas anteriores de se resolver o problema da dívida dos clubes com as bênçãos do governo – como a Timemania – simplesmente foram ignoradas por eles, Dilma com quase toda certeza vai vetar o artigo.

Ela é uma das defensoras da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que vai estabelecer contrapartidas e, importante também, prazos para que as etapas sejam cumpridas.

Clubes e entidades responsáveis não devem ter medo da LRFE.

Mas sou capaz de apostar que, uma vez vetado o artigo da MP 656 que faz exatamente o que querem, ele vão preparar uma contraofensiva para tentar “embareirar” a lei.

Enquanto isso, a dívida dos clubes só faz aumentar. E solução que é bom, nada.