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Holan fez com o Santos o que o Santos fez com Jesualdo Ferreira

Argentino foi antiprofissional ao pular do barco como o clube também foi no ano passado ao demitir o treinador português

Almir Leite

26 de abril de 2021 | 16h02

O pedido de demissão de Ariel Holan depois de dois meses de Santos foi supreendente, talvez tenha sido precipitado e certamente foi injusto com uma administração que pegou o clube praticamente falido e tem se virado como pode.

No entanto, não se pode esquecer que meses atrás esse mesmo Santos, é verdade que sob outra administração,  fez o mesmo com o português  Jesualdo Ferreira.  Surpreendeu-o com a demissão, talvez tenha sido precipitado e sobretudo foi injusto e desrespeitoso com alguém que, aos 73 anos, deixou o seu país para desenvolver  (ou tentar) um trabalho em outro.

Jesualdo recebeu cartão  vermelho após apenas 15 jogos. Holan deu cartão vermelho ao Santos depois de 12 partidas.

Ariel Holan pulou do barco ao perceber que teria de remar muito; atitude questionável

Um não teve tempo para implantar sua filosofia de trabalho; o outro disse ter percebido que não conseguiria implantar suas ideias.

O Santos, por meio de seus dirigentes – os anteriores e os atuais -, tem culpa nos dois episódios. Mas, no atual, não dá para tirar de Holan a parte que lhe cabe nesse trabalho frustrado.

O argentino fracassa pela primeira vez como treinador – fez bom trabalho do Defensa Y Justicia e levantou taças no Independiente e na Universidad Católica – porque quis. Ou melhor, porque errou a avaliação feita ao aceitar o convite do Santos.

Ariel certamente sabia que o clube passa por grave crise financeira, o que não iria lhe permitir  contratar grandes jogadores. E deveria saber que o elenco iria perder alguns dos seus (poucos) melhores jogadores.

Não precisava nem alguem lhe dizer isso.  Quem se arvora a viver no futebol aprende depois de meia hora que é assim que a banca toca: quem não tem e/ou precisa de dinheiro  desfaz-se de seu patrimônio para conseguir.

Holan, portanto, sabia onde estava se metendo. No mínimo sabia que existia risco de perder Soteldo e qe outros mais poderão sair.

E tinha obrigação de  pelo menos desconfiar que a nova fornada de garotos da Vila, lançada de maneira precipitada de baciada no time de cima por causa das circunstâncias, poderia não ser tão boa.

Como de fato não é, pois, de maneira resumida, apenas dois deles, o superverde Angelo e Gabriel Pirani, têm potencial para se tornarem grandes jogadores.  Ou outros serão, no máximo, bons.

Ou seja, deveria saber que também da parte dele seria preciso paciência.  E ele não teve. Constatando que precisaria remar muito para o barco não afundar, preferiu pular.

O tempo trará detalhes desse pedido de demissão de Holan. O foguetório da torcida não deve ter sido, pois quem enfrentou chantagem de torcedores quando treinava o Independiente tira isso de letra – sem contar que ele já é grandinho o suficiente para saber que tal tipo de atitude tem questões políticas por trás.

O foguetório tem todo jeito de ter servido como desculpa. O atraso no pagamento de seus salários que, segundo consta, estava ocorrendo, pode ter pesado mais.

Mas Holan foi antiprofissional ao pedir demissão com tão pouco tempo de trabalho. Assim como o Santos havia sido com Jesualdo.  Não há coitados nessas histórias.