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Legado é o verdadeiro ouro para o futebol

Almir Leite

20 Agosto 2016 | 10h41

O Brasil tem chances consideráveis de bater o forte, entrosado, encaixado time da Alemanha e levar o ouro olímpico.

Ouro que quase todo mundo quer, pela delícia que é ganhar e pela propaganda que quem ganha dinheiro com os Jogos faz, enaltecendo o ineditismo, o heroísmo e outros ismos de tão épica conquista.

Esse blogueiro já escreveu neste espaço o que pensa sobre isso:  a de que Olimpíada não tem importância para o futebol brasileiro, que a seleção tem de ganhar é Copa do Mundo, mas que, já que está disputando os Jogos, então não custa nada tentar ganhá-lo.

Mas, sendo ouro ou prata, essa Olimpíada já assegurou um benefício enorme ao futebol brasileiro. Um legado que, se for bem aproveitado, pode nos recolocar no pódio dos melhores do futebol mundial (de onde escorregamos faz tempo!).

A seleção do novato de 47 anos, do desconhecido Rogério Micale resgatou o prazer do jogo ofensivo, bonito, do toque de bola, da ousadia.

E com a devida atenção à necessidade de ser competitivo, da aplicação tática, da marcação sob pressão e de outros itens que tornam uma equipe de futebol equilibrada.

Não, a seleção não está pronta, não é perfeita, e não estará – porque perfeição não existe no futebol e além disso será desfeita ao fim da decisão.

Mas, além do resgate de algumas “características pétreas” do futebol brasileiro – do tempo em que éramos vencedores -, mostrou uma nova geração de jogadores.

Atletas estes que, sem bem trabalhados e se não se deixarem levar pela ilusão das benesses da vida, se não colocarem um escafandro em seus rostos – e cabeças – poderão ajudar a recolocar o trem nos trilhos.

Não no curto, mas no médio prazo.

E darão ao futebol brasileiro o benefício extra de não depender de apenas um jogador, um craque personalista, que acha que o mundo deve estar a seus pés – embora nesse caso a culpa não seja só dele e sim de todos, repito todos, de todos os setores, que o paparicam.

Para que isso tenha chance de ocorrer, no entanto, é  preciso ganhar.

Ainda mais que numa cultura em que o segundo lugar nada vale.

Então, que venha o ouro!