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Líder da quadrilha que manipulava resultados fez acordo de delação premiada

Depoimento de Anderson da Silva Rodrigues ocorreu na segunda-feira, em São Paulo

Almir Leite

23 Fevereiro 2017 | 16h03

Anderson da Silva Rodrigues, chefe do esquema de manipulação de resultados no futebol brasileiro, fez acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, no âmbito da Operação Game Over. Ele prestou depoimento na última segunda-feira e deu detalhes sobre o funcionamento do esquema, desbaratado no primeiro semestre do ano passado.

A Operação Game Over investiga manipulação ocorrida em jogos de divisões menores do Campeonato Paulista (Séries A2 e A3) e em Estaduais no Norte e Nordeste do País. Competições no Ceará e no Rio Grande do Sul foram afetadas, assim como em Mato Grosso.

Anderson é um dos nove brasileiros envolvidos inicialmente na tramoia, entre ex-jogadores, treinadores, dirigentes e empresários. Todos estiveram a prisão decretada, mas ele e outro acusado, Thiago Coutinho, estão foragidos.

No acordo de delação, o advogado de Anderson negociou para que ele permaneça em liberdade durante o processo.

Dos outros sete envolvidos que chegaram a ser presos, todos estão respondendo em liberdade.

Em seu depoimento, no fórum criminal da Barra Funda, Anderson Rodrigues confirmou vários fatos constatados pela polícia durante as investigações, nomes, jogos manipulados, valores pagos. Confirmou que o esquema atuava para a máfia instalada na Malásia, China e Indonésia. Suas informações reforçam as provas contra os envolvidos.

Anderson também teria dado pistas que podem levar a constatação de manipulação em outros jogos, além dos já investigados.

A delação já foi enviada ao juiz responsável pelo caso, a quem caberá homologá-la ou não. Não há prazo para esta decisão. Se aceita, representará redução de pena para Anderson.

Ex-jogador, com longa passagem pelo futebol da Indonésia, Anderson, de 42 anos, era o mais importante operador do esquema no País. O subchefe era Márcio Souza da Silva, que foi o primeiro a fazer delação premiada, no ano passado, em acordo com a Polícia Civil.

Existe pedido de prisão expedido contra dois malaios,  Jawhir Bin Saliman e Zulfika Bin Mohd Sultan, cabeças do esquema em nível internacional. São procurados pela Interpol.