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Lionel Messi tem o direito de decidir onde quer jogar

Argentino sofre críticas por querer deixar o Barcelona, clube que o criou, mas a condição de decidir sua vida deve ser respeitada

Almir Leite

26 de agosto de 2020 | 16h14

Por essa ninguém esperava. Afinal, parecia se tratar de uma das poucas verdades absolutas do futebol. Messi, porém, resolveu “subverter a ordem” ao dizer que não quer mais jogar no Barcelona. O Barcelona! Aquele clube que o recolheu mirradinho aos 13 anos no interior da Argentina e que, para boa parte dos seres, é o maior clube de futebol do mundo.

Pois Messi já não se seduz mais por isso nem acha que deva ter vínculo eterno com o clube por tudo o que foi feito em seu favor. Mesmo porque ele sempre retribuiu à altura.

No entanto, seu desejo expresso de mudar de ares está sendo tratado por alguns como se fosse um pecado capital. A ingratidão do filho com o pai que tanto fez por ele e o desprezo por uma legião de súditos, os torcedores do Barça, que o veneram.  Mas, agora, que vê o barco afundar, a pulga age como rato e pula fora.

Não sejamos tão radicais. Em primeiro lugar, Messi tem o direito de decidir seu destino – algo que todos os cerca de 7 bilhões de seres humanos desse planeta gostaria de fazer, mas só alguns de fato o podem. Depois, ele tem o direito de entender que o Barcelona, para ele, “já deu”  e de querer iniciar outra etapa de sua vida e carreira – ainda que essa etapa possa ter jeito de volta ao passado, a se confirmar as informações de que vai para o Manchester City, onde reencontrará Pep Guardiola.

Parece lógico que Messi, que já vinha amadurecendo a ideia, decidiu sair porque está descontente com a administração ruim de Josep Bartomeu e por não concordar com a renovação a ser feita pelo técnico Koeman. Dos principais nomes do elenco, o holandês só queria mesmo ficar com um, justamente Messi, e já começou mal o seu trabalho, ao dispensar por telefone o uruguaio Suárez.

Mais do que a dispensa, a maneira como ela se deu, é reprovável. Não se demite ninguém por telefone, a menos que não se tenha a menor noção do que significa a palavra respeito.

Tudo isso fez o argentino transbordar. Claro que ainda é possível que reveja sua posição. Sem contar que pode haver o impasse jurídico sobre se Messi pode sair de graça, como prevê uma cláusula de seu contrato, ou se será em troca de 700 milhões de euros porque ele teria perdido o prazo contratual para se manifestar. Mas, se realmente sair, Messi merece ter seu desejo respeitado.

Além disso, seja sincero: você, que critica Messi por deixar o Barça, manteria a crítica se ele, por um desses milagres da vida, viesse para o seu time?