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Luxemburgo não é mais o mesmo. E isso pode ser bom para o Palmeiras

Almir Leite

16 de dezembro de 2019 | 15h16

Aos 67 anos, Vanderlei Luxemburgo já integra há algum tempo a velha guarda dos treinadores do futebol brasileiro.

O brilho intenso daqueles seus primeiros anos de carreira como treinador não existe mais.

A ousadia que o caracterizava ao armar suas equipes, também não.

O Luxemburgo de hoje, pelo que se viu no Vasco este ano e em sua inicialmente boa passagem pelo Sport (terminou mal) pouco mais de dois anos atrás, é mais comedido. Tem preocupação maior com a marcação e menor com a posse de bola.

Claro que nenhuma das duas equipes citadas lhe dava opções técnicas de se aventurar sob qualquer circunstância.

Mas essas deficiência técnicas, somadas à experiência adquirida ao longo dos anos, com sucessos e pancadas, o tornou um pouco pragmático, sem tirar-lhe algumas qualidades que levaram muita gente a defini-lo como “estrategista”.

O “profexô” não desaprendeu quanto se trata de montar times, de perceber em que setor do campo determinado jogador rende melhor.

Ainda sabe, e mostrou isso no Vasco, motivar o elenco.

E embora não se possa garantir que não terá “crises de ciúme”, consegue trabalhar com medalhões, estrelas, como encontrará no Palmeiras.

Por tudo isso, nesta sua passagem pelo Alviverde, Luxemburgo tem possibilidade de fazer bom trabalho.

E por algo talvez até mais importante quando se trata de alguém tão vaidoso: a oportunidade de jogar na cara dos críticos que não está ultrapassado.

Não foram raras as vezes, no período em que esteve sem clube, que Luxemburgo se irritou com os comentários de que estava decadente e ultrapassado.

Bateu-boca sempre que alguém ‘ousou’ dizer isso.

No Vasco, time sofrível que pegou na zona do rebaixamento e deixou com uma honrosa vaga na Copa Sul-Americana, acredita ter mostrado que não estava morto.

E agora, no Palmeiras, pretende provar que está bem vivo.

A vantagem é que o Luxemburgo de hoje está concentrado apenas em seu trabalho como treinador.

E quando não se deixa perder por atividades paralelas, Vanderlei Luxemburgo é um técnico que merece ser levado a sério.