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Não ao árbitro de vídeo expõe mesquinhez da CBF e dos clubes

Almir Leite

06 de fevereiro de 2018 | 15h15

É fato que a CBF não tem ganhos diretos com o Campeonato Brasileiro. O dinheiro que a TV paga para as transmissões vai para os clubes, os patrocínios, as chamadas propriedades comerciais (por exemplo as placas que ficam ao redor dos campos) também. E também é fato que os clubes, por esses direitos, ganham em sua maioria cotas cada vez mais atraentes.

No entanto, e apesar isso, a CBF bem que poderia se propor a “rachar” com os a despesa (bem alta por sinal, pois segundo toda a cartolagem ficaria entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por jogo) da implantação do árbitro de vídeo. Afinal, a entidade ganha os tubos com a seleção brasileira, tanto em cotas como em patrocínios. E a seleção só atrai porque tem jogadores oriundos de clubes nacionais, que os formaram.

Neymar pode estar hoje no PSG, mas foi “forjado” no Santos. Coutinho joga no Barcelona, mas iniciou no Vasco. Gabriel Jesus, do Manchester City, começou a ser lapidado pelo Palmeiras. E por aí vai…

Em 2016, a CBF registrou, de acordo com seu balanço, arrecadação de R$ 647 milhões. No ano passado provavelmente teve arrecadação maior – o balanço ainda não saiu. Assim, ainda que arcasse sozinha com os R$ 19 milhões por todo o campeonato (R$ 50 mil x 380 jogos), estaria gastando uns caraminguás no frigir dos ovos.

E os clubes. Sabe-se que alguns deles estão passando o pires, resultado de administrações que deveriam mandar seus responsáveis para solitária em alto-mar. Mesmo assim, o que amealharão com receitas com TV, para citar só um exemplo, seria suficiente para arcar com os custos do árbitro de vídeo (custo inexplicavelmente alto, repito).

Mas os clubes não quiseram pagar. Dizem não ter dinheiro apesar de que pagar salários altíssimos para jogadores de qualidade discutível continuar a ser prática comum entre eles.  Se eles dividissem os tais R$ 19 milhões igualmente, cada um gastaria R$ 950 mil em todo o campeonato. Ou seja, três meses de salários pagos a um cabeça de bagre que fossem economizados resolveria o problema.

Aliás, é injusto dizer que os clubes não quiseram pagar. 12 deles não quiseram – ou 13, pois o São Paulo caiu fora antes da votação.

Resumo da história: na hora de colocar a mão no bolso, CBF e a maioria dos clubes preferiram deixar as coisas que jeito que estão.

Então, que não venham a reclamar quando forem prejudicados por erros que o árbitro de vídeo poderia evitar. Corinthians, Santos, Fluminense, Vasco, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, América Mineiro, Cruzeiro, Paraná, Ceará, Vitória, Paraná, Sport, e também o fujão São Paulo não terão  direito de reclamar.

E a CBF terá de engolir calada cada vez que for criticada por alguma lambança de um árbitro de seu quadro.

 

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