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Neymar está perto de seu maior sonho, mas nem tanto como parece

Atacante jamais esteve tão próximo de ser eleito o melhor do mundo. Mas, caso não consiga, não será exatamente um fracasso

Almir Leite

17 de agosto de 2020 | 18h08

A semifinal inédita que Paris Saint-Germain e RB Leipzig farão nesta terça-feira em Lisboa pela Liga dos Campeões é, por essas bandas de cá do Brasil, um assunto monotemático. Com algumas boas exceções, o jogo é analisado a partir de um personagem: Neymar. E as análises são mais ou menos nessa base: se o PSG ganhar e consequentemente chegar à decisão, o adulto Ney estará a um passo de realizar seu sonho maior na carreira (embora ele negue), o de ser eleito o melhor jogador do mundo.  Se o time francês sair da partida com passagem de volta a Paris, o menino Ney terá, mais uma vez, falhado – ou fracassado, de acordo com o grau de antipatia que o analista nutre por ele.

Nem tanto ao mar nem tanto a terra, prefere este blogueiro, recorrendo a uma expressão bastante surrada, mas também bastante comum, no futebol, desde sempre refém dos exageros típicos da paixão que envolve esse esporte.

É fato que comandar o time na conquista da Liga dos Campeões, a mais importante competição entre clubes de futebol do mundo, é determinante para um jogador ser escolhido o melhor do planeta em anos sem Copa do Mundo. E num ano em que os torneios foram paralisados à força, resultando em longa interrupção, o valor das últimas impressões é ainda maior do que em temporadas normais.

Mas Neymar vive uma situação especial, e até estranha.

Ele realmente teve uma excelente temporada (considerando-se desde o começo). Jogou quase sempre muito bem, teve ótimas partidas  pelo PSG tanto nas fracas competições internas da França como dos jogos da Liga de que participou. Aliada à sua ótima habilidade e excelente técnica, mostrou-se mais maduro em campo, e  cresceu.

Porém, Neymar também sobressaiu pelas deficiências do PSG, clube que gasta horrores em contratações, mas que, a rigor, ofensivamente vive, de maneira efetiva, dele, de Mbappé e de Di María, este mais inconstante.

O jogo contra o Atalanta, nas quartas de final, foi um exemplo disso: até a entrada de Mbappé, ele carregou o time nas costas (mas seria esculachado se o PSG tivesse sido eliminado, por causa dos gols incríveis que perdeu).

É esse contexto que poderá levá-lo a ser o melhor do mundo, caso o PSG conquiste o título tão sonhado – aliás, foi para isso que a turma do Catar que comanda o clube pagou R$ 820 milhões para tirá-lo do Barcelona, além de lhe pagar uma fortuna anualmente.

Liderar com sucesso um time com muita coisa mal resolvida aumentará o valor e o significado do feito. Mas, por isso mesmo, desde que faça sua parte Neymar não terá fracassado caso o Saint-Germain fique pelo caminho. Pelo menos este ano, que o PSG, no geral, teve mais fama do que futebol.

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Em tempo: Não será fácil para o PSG bater o ajustado, bem montado, arrisco e ofensivo RB Leipzig. Arrisco até dizer que os alemães têm leve favoritismo.

Em tempo 2: Dentro do meu critério particular de escolha do melhor jogador do mundo, o troféu deste ano já tem dono, independentemente do que vier a ocorrer nessas três partidas que faltam para resolver a Liga dos Campeões: é Robert Lewandovski, pela brilhante temporada.