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Neymar não é insubstituível, diz Tite. Talvez tenha de mostrar isso na prática

Técnico acerta ao manter o jogador na seleção, mas terá, pelo bem da equipe, de abrir mão dele caso se mostre abalado pela grave acusação de que é alvo

Almir Leite

03 de junho de 2019 | 20h20

“Tecnicamente, Neymar é imprescindível. Mas não insubstituível. Insubstituível ninguém é.” A resposta de Tite, em dois tempos, à pergunta do excelente repórter do Estado Marcio Dolzan, na entrevista coletiva em que foi bombardeado por questões sobre a grave acusação que recai sobre o melhor jogador do futebol brasileiro na atualidade, de certa forma joga por terra a sensação de que ele é intocável.

Era essa a impressão, a de que Neymar é intocável, desde os tempos de Dunga, ou até antes, na época de Felipão. Neymar fazia das suas e sempre encontrava alguém na seleção a lhe passar a mão na cabeça.

O próprio Tite algumas vezes agiu em relação a Neymar de maneira criticável, no mínimo polêmica. Por isso, quando recentemente retirou dele a braçadeira de capitão da seleção, como castigo por ter agredido um torcedor, ficou a impressão de um acordo para não chatear o menino mimado. Até porque Tite inicialmente se recusara a falar publicamente do tema.

Agora, a reboque da acusação de estupro feita contra Neymar, Tite deixa claro que ele não é insubstituível.

Claro deve ficar, também, que o treinador não julga Neymar. Está certo. Por mais controverso que o atacante seja, o caso não deve ser alvo de prejulgamentos de ninguém. Nem a seu favor, nem contra.

A investigação da denúncia cabe à polícia e uma posterior sentença à Justiça.

Tite também acerta ao manter Neymar no grupo que disputará a Copa América. Se tomasse a iniciativa de cortá-lo, ainda que com argumentos como o de que o jogador precisa tratar de sua defesa e não estaria com a cabeça na equipe, transmitiria a sensação de prejulgamento, e de condenação.

(Mas se Neymar tomar a iniciativa de pedir dispensa, algo que este blogueiro não descartaria, o melhor será atender à solicitação).

O problema para Tite, esportivamente falando, é fazer com que a situação do atacante não tenha influência na seleção durante a Copa América que o Brasil sedia. Neymar é amado e odiado na mesma proporção, não se sabe como será recebido nos aeroportos, estádios, nem como irá reagir.

Se reagir mal, comprometerá seu futebol e poderá comprometer o da seleção. Tite tem de ficar atento para perceber rapidamente qualquer risco de isso ocorrer. E se vier a acontecer, talvez (para utilizar uma palavra a que o treinador recorreu bastante na coletiva) seja hora de mostrar que Neymar, tecnicamente, é realmente substituível.