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Neymar não fez falta, e isso foi o melhor

Seleção só terá a ganhar se o atacante passar a ser tratado como "apenas'' mais um jogador do grupo; e ele também vai lucrar

Almir Leite

07 de julho de 2019 | 19h58

O título da Copa América já era esperado, desde muito antes de a competição começar. De certa forma, a seleção brasileira não fez mais do que a obrigação. Em casa, com um grupo “baba” – o mais fraco de todos – na primeira fase, e concorrentes que, de maneira geral, não eram grande coisa, tinha mesmo de ser campeã.

Claro que a equipe teve seus méritos. Jogou bem, por exemplo, contra a Argentina, apesar dos riscos que correu porque a defesa se mostrou vulnerável quando foi pressionada. Foi bem nos 5 a 0 da primeira fase em cima do Peru, embora até o primeiro gol o adversário estivesse melhor em campo. Também foi bem na decisão.

Mas é preciso colocar os pés no chão. O título da Copa América é o máximo que a seleção brasileira pode almejar no futebol atual. Copa do Mundo, nos dias de hoje, não passa de um sonho. Para ganhá-la, é preciso ter criatividade, variações táticas, um time consistente, jogadores com personalidade…

Agora, a seleção não tem isso. Quem sabe até 2022…

Pensando lá na frente, a melhor coisa que aconteceu à seleção brasileira nessa Copa América foi ter sido campeã sem Neymar. Foi ele não ter feito falta, nem mesmo nos jogos em que o time se enrolou, como nos empates contra
Venezuela e Paraguai.

Neymar não fez falta, repito.

Isso quer dizer que não deve mais fazer parte da seleção?

Claro que não. Neymar tem grande talento, é de fato o melhor jogador que o futebol brasileiro tem atualmente, e nenhuma equipe que se preza deve prescindir de alguém como ele.

Mas o fato de a seleção ter sido campeã sem ele, depois de perder várias competições com ele (perdeu sem também) mostra que Neymar não é insubstituível. Não é imprescindível, como Tite disse certa vez.

A ausência mostra que a Neymardependência (jamais assumida, diga-se) que técnicos como Felipão, Dunga e o próprio Tite adotaram era infundada.

Um dos pontos positivos da seleção brasileira nesta Copa América foi ser mais coesa, equilibrada (e equipe equilibrada é algo que Tite sempre pregou). Ao contrário de várias outras ocasiões nos últimos anos, em que o time era “penço”, jogando mais pelo lado esquerdo porque é por lá que Neymar atua, sem ele o time explorou de maneira mais uniforme os dois lados.

Sem ele, também, os jogadores se tornam mais solidários em vez de, por omissão, comodismo e/ou covardia deixarem para ele tentar resolver.

Neymar também colaborou, é muito, até hoje, para esta situação de dependência. Individualista, pensa que o mundo gira em torno dele. Em campo, acha que a bola gira em torno dele. Quase sempre quer fazer tudo sozinho. Como é um grande jogador, tem vez que consegue. Aí, se acha o maioral.

Mas no futebol não é assim. É, cada vez mais, esporte coletivo. Assim, cabe ao treinador ter Neymar como mais uma peça da engrenagem. E cabe a Neymar compreender que ele é apenas uma peça dessa engrenagem. Peça importante, mas apenas uma delas.

Quando, e se, isso ocorrer, Neymar se tornará ainda mais decisivo – ou verdadeiramente decisivo. Jogador e seleção sairão ganhando. E aí, quem sabe o Brasil possa, de fato e não com base no passado, ser postulante  ao título mundial em 2022.

FÉRIAS
Chegou o momento de dar uma descansada, de recarregar as baterias. Daqui a pouco o blog estará de volta.

 

 

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