Neymar pode jogar mal, Tite é que não pode assistir placidamente
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Neymar pode jogar mal, Tite é que não pode assistir placidamente

Atacante sentiu a falta de ritmo contra o Chile, mas é coisa passageira. Ruim é Tite não ter coragem de substitui-lo

Almir Leite

03 de setembro de 2021 | 16h21

Neymar jogou mal contra o Chile. Muito mal. Merecia ser substituído. Deveria ter sido. Mas Tite não tem coragem de mexer nele. É o craque de seu time, o que pode carregar nas costas quando a coisa aperta. Por isso, é intocável seja qual for a situação. Só sai, ou não entra, se não tiver outra alternativa.

Neymar jogar mal não preocupa. É sempre assim no início de temporadas. Fisicamente, até pode não estar na melhor forma. Mas o principal é que ele é daqueles jogadores que perdem o ritmo quando ficam algum tempo parado, por férias ou contusão. Dois, três, quatro jogos e tudo volta ao normal. Nada indica que será diferente agora.

Neymar, em apenas um exemplo ilustrativo, jogou muito mal, mais muito mal mesmo, as três primeiras partidas da Olimpíada do Rio, em 2016, pois vinha de mais de um mês parado, curtindo férias. Depois, retomou o ritmo e fez a diferença.

Neymar passa por um mau momento temporário, logo vai voltar a arrebentar

Neymar jogou mal pelo PSG contra o Reims, porque estava fora de ritmo, e muita gente se preocupou em criticar sua substituição por Messi. Gente que queria vê-los juntos com Mbappé e como havia o risco da saída do francês não se preocupou com o aspecto técnico.

Neymar jogou mal pelo Brasil contra o Chile porque ainda não chegou ao ritmo ideal de jogo, não porque está fora de forma, como muitos falaram. Aliás, como Neymar não admite críticas, fundadas ou não como no caso dessa, pegou a pilha e foi desnecessariamente às redes sociais responder aos críticos.

Neymar já devia ter aprendido que craque, jogador que se garante, como é o caso dele, responde na bola. Mas parece que nunca vai aprender.

Neymar, porém, não é problema neste contexto. Problema é Tite insistir em depender demais dele, esquecendo-se de que, no imponderável do futebol, pode não tê-lo por contusão ou suspensão, ou por outro motivo qualquer quando mais  necessitar – aliás, o teve a meia-boca na Copa da Rússia. Aí, vai precisar ter alternativa se quiser vencer, ser campeão.

Neymar não participou, por  contusão, da Copa América de 2019. E o Brasil foi campeão. Por quê? Porque na América do Sul, ainda que vez ou outra a Argentina possa atrapalhar, o Brasil não precisa de Neymar para vencer. Precisa em Copas do Mundo. Mas precisa, talvez ainda mais, ter alternativas para o caso de ele não poder estar em ação.