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No São Paulo, a diretoria joga contra

Almir Leite

22 de abril de 2015 | 11h50

É patético o comportamento da diretoria do São Paulo na busca por um treinador para o time. Muricy Ramalho já saiu faz tempo, e até agora nada. Mas o pior não é o time estar sem treinador e sim a maneira como o assunto é tratado.

Recentemente, o diretor Athaide Gil Guerreiro, disse que os quatro treinadores procurados “aceitaram” treinar o São Paulo. O presidente Carlos Miguel Aidar fez coro. Só não explicaram, de forma convincente, porque então a equipe ainda não tem novo comandante, se quatro aceitaram.

Usou-se o argumento de que um dos que disseram sim, Alejandro Sabella, dá preferência ao Manchester City e só virá para o São Paulo se não der certo a negociação com o futebol inglês. O técnico da seleção argentina ganhou até prazo para decidir. Prazo que não cumpriu.

No entanto, basta fazer contato com algum jornalista inglês, como este blogueiro fez, para confirmar o que muitos já desconfiam: os dirigentes do City falam, bastante, em demitir o chileno Manuel Pelegrini, mas fala-se pouco em contratar Sabella.

Pode até acontecer, mas não parece ser uma hipótese tão forte assim no momento.

Mas Sabella faz o São Paulo esperar.

Até aí, tudo bem, pois um profissional tem o direito de escolher aquele que acredita ser o melhor caminho para ele.

O que não dá para engolir é a empáfia da cartolagem tricolor.

Está na cara que nenhum dos técnicos procurados – Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo e Jorge Sampaoli – não são daqueles que ficam esperando um outro dizer não para aceitar correndo o lugar vago. Não aceitam ser segunda opção. Vale lembrar que no fim do ano passado Abel mandou a diretoria do Inter às favas ao perceber que  negociava como outro treinador e levava em banho-maria sua renovação – que só seria efetivada se o preferido dissesse não.

Aceitar conversar, que foi o que os treinadores fizeram, é diferente de aceitar assinar contrato. E enquanto a diretoria do São Paulo insistir em viver fora da realidade, o time – que aliás só é de primeiro nível nas mesas de futebol de botão – vai sofrer em campo.  Como, aliás, vem sofrendo.

OUTRA BOLA FORA

Carlos Miguel Aidar foi considerado um dirigente de vanguarda em 1987, quando foi um dos líderes da rebelião dos clubes que resultou na Copa União – o Campeonato Brasileiro daquele ano -, e quase deu na criação de uma liga. O tempo passou e hoje Aidar, infelizmente, dá mostras de ter ficado parado.

Sua última brilhante aparição foi para pressionar o juiz que apitará São Paulo x Corinthians na noite desta quarta. Posou de dirigente que teme ver seu time prejudicado e age para evitar que isso aconteça. Balela. A mim me parece que ele não confia no time que montou (e quem confia?) e já está arranjando uma desculpa  para o caso de uma eliminação. Não é coisa de time grande.