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O articulado fim de Marco Polo Del Nero

Presidente sabia há vários meses que seria banido, mas a Fifa deu a ele o tempo necessário para "preparar as coisas''

Almir Leite

27 de abril de 2018 | 13h09

A surpresa e a indignação demonstradas por Marco Polo Del Nero e seus advogados com a decisão do Comitê de Ética da Fifa de banir o dirigentes faz parte do script. A decisão de recorrer da punição também. Não dava para eles dizerem que já esperavam. Que sabiam. Não dava para mostrar conformismo. Mas Del Nero sabia há pelo menos seis meses que seria eliminado do futebol por corrupção.

A Fifa tem uma maneira particular de agir. Mesmo quando corta cabeças, deixa que as “vítimas” penteiem os cabelos. Ou seja:  antes de banir qualquer um de seus membros (ou ex-membros) dá um tempo para que arrumem suas vidas dentro e fora do futebol – principalmente fora, numa tentativa de evitar que venham a ser punidos pela Justiça dos homens.

Em alguns casos não dá. O maior exemplo foi dado no fim de maio de 2015, quando a polícia madrugou no hotel em Zurique e prendeu vários dirigentes, entre eles José Maria Marin, que está em cana (embora por enquanto em prisão domiciliar) até hoje.

Mas quando é possível, a Fifa sempre ajeita as coisas. Foi o que aconteceu, entre outros, com Joseph Blatter e Jérome Valcke.

E como ocorreu com Del Nero. Sua suspensão em dezembro pelo Comitê de Ética foi precedida do aviso de que isso iria acontecer. Seu direito à defesa – e ele soltou o verbo quando falou por videoconferência com os integrantes do Comitê – foi, digamos, “pró forma”.

Del Nero já sabia que seria banido, quando pudesse ajeitar sua situação na CBF. Tanto que a suspensão foi prorrogada porque ele ainda não havia concluído o processo na entidade que indicaria seu sucessor. Precisava de um pouco mais de tempo para costurar um acordo amplo em torno de Rogério Caboclo.

Fechou as negociações, elegeu Caboclo, manteve Antonio Nunes na presidência enquanto isso (como Rainha da Inglaterra, pois quem manda de fato já é Caboclo) e preparou o terreno para seu banimento. Que ocorre agora, dez dias depois da eleição.

Assim, não corre riscos de aparecer algum esqueleto na CBF. Assim, fica tudo como está, pelo menos no âmbito da entidades do futebol. Assim ele se retira. Será? Ou continuará a agir nos bastidores? Façam suas apostas.

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