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O capitão Dunga e o ex-capitão Neymar

Almir Leite

21 de agosto de 2016 | 11h59

Em 1994, Dunga recebeu na tribuna do Rose Bowl a taça pelo tetracampeonato mundial e sua primeira reação foi xingar os jornalistas, pelas críticas feitas a ele e à seleção brasileira.

Em 2016, 22 anos depois, Neymar, que naquela época tinha pouco mais de dois anos, logo após de colocar a medalha de ouro olímpica no time, disse “Agora, vocês vão ter de me engolir!” , em respostas às críticas feitas pelos jornalistas a ele na fase inicial da competição.

A seleção, como um todo, também foi bastante criticada, mas isso parece coisa menor para o capitão. Aliás, ex-capitão.

São duas reações que contêm mágoa, rancor, raiva mesmo – e que não combinam com os verdadeiros líderes (embora seja justo reconhecer que Dunga, apesar de alguns exageros como a agressão a Bebeto na Copa de 1998, foi um excelente capitão).

Coisa que Neymar nunca foi. Provavelmente não por culpa dele, pois não tem perfil nem equilíbrio para ser capitão.

Mas de quem o colocou lá, né Dunga?

De qualquer maneira, como não teve a humildade declinar do cargo, Neymar deveria ter pelo menos se esforçado para ser um bom capitão.

Alguém deveria ter dito a ele que ser querido apenas pelos companheiros não basta. É preciso falar, se posicionar, dar explicações, colocar a cara para bater nos momentos difíceis.

Defender o grupo.

E também contestar, com argumentos, as críticas injustas, as exageradas, as maldosas – que evidentemente, existem.

É um direito que todos têm – e que deve ser exercido.

Responder  na bola é salutar, é grande resposta. Talvez até seja a melhor.

E isso Neymar sabe fazer como poucos no mundo.

Mas ter argumentos consistentes  para rebater questionamentos é melhor ainda.

“Agora vão ter de me engolir!” não é argumento. É falta de.

Neymar precisa, e merece, ser mais bem assessorado.

Inteligente ele é (também fora de campo).

Mostra disso foi dizer que não quer mais ser capitão – agora na seleção principal.

Ele não seria mais mesmo o capitão. Tite não o quer nessa função, percebeu que ele não serve para isso.

O Estado de S.Paulo trouxe essa informação em 9 de agosto.

Mas, ao se “antecipar”, uma vez que a decisão só seria oficializada quando a seleção se reunisse, Neymar deixa a situação confortável para todo mundo.

Para ele, para Tite e para o novo capitão.

E, sobretudo, vai ser melhor para ele não ter esse peso extra- que, por suas atitudes, ele sente, apesar de dizer que não.

Neymar foi mal ao querer entrar goela abaixo dos críticos.

Foi bem ao abrir mão da faixa que já não seria mais dele, e na ocasião escolhida para o “anúncio”.

Nunca é demais repetir: Neymar precisa, e merece, ser mais bem assessorado.

Aí, se não crescer, se não se tornar adulto, o problema será só dele.