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O fator Kaká na seleção

Almir Leite

08 de outubro de 2014 | 16h44

Nestes tempos de eleição, os afazeres me afastaram momentaneamente do esporte.

Mas arranjei um tempinho para comentar o quanto Kaká pode fazer bem para a seleção brasileira neste momento.

É fato que as chances de ele disputar a próxima Copa não são lá muito grandes, visto que estará com 36 anos – e embora Dunga tenha dito, em recente entrevista que fiz com ele, que se Klose pôde jogar pela Alemanha no Mundial de 2014 e sua convocação foi motivo de aplausos, seria incoerente os brasileiros criticarem a presença de um veterano na disputa que ocorrerá na Rússia se isso vier a ocorrer.

Neste momento de reconstrução, porém, Kaká pode contribuir, e muito, com Dunga e a seleção.

O principal ele tem conseguido, que é uma sequência de atuações de bom nível pelo São Paulo.

Além disso, pode contribuir com sua experiência, espírito de grupo e carisma.

Relatos vindos de Pequim dão conta que sua chegada à capital chinesa causou frisson – maior até o que a presença de Neymar.

E eu, que em 2008  vi um aeroporto chinês parar  por causa da presença de Ronaldinho Gaucho – inclusive com os sisudos policiais da alfândega chinesa deixando suas armas de lado para correr atrás de autógrafos e fotos -, imagino a festa que foi feita para Kaká.

E a seleção brasileira, neste momento, precisa de ídolos, jogadores reconhecidos e admirados em todo mundo.

Isso ajuda a dar moral. Vai ajudar na reconstrução.

E, também pelos relatos que chegam, a presença de Kaká no grupo foi recebida com entusiasmo por todos. Ele parecia em casa, dizem. Parecia até que convive diariamente com todos os jogadores – alguns deles sequer conhecia.

Sem contar sua afinidade com Dunga, que precisa de homens de confiança dentro do elenco neste momento – Maicon seria um desses homens, mas pisou na bola.

Kaká tem ambições, claro. Mas prefere pensar no presente.

Isso é muito bom. Ter consciência de que, ainda que não chegue à Copa,  poderá ser útil à seleção por algum tempo e se mostrar disposto a colaborar é atitude bastante salutar numa época em que, no futebol, os jogadores pensam acima de tudo em si próprios.

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