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O Flu e o futebol brasileiro poderiam ficar sem essa

Almir Leite

18 Outubro 2016 | 10h41

Antero Greco resumiu com o rotineiro brilhantismo a decisão do árbitro Sandro Meira Ricci que deu origem à grande polêmica do Campeonato Brasileiro de 2016: “Irregularmente, anulou um gol irregular”, escreveu em sua coluna no Estadão no último domingo.

É isso: o gol de Henrique foi irregular, pois o zagueiro do Fluminense estava impedindo, e Ricci claramente recebeu informações de seres alheios ao jogo para por fim anulá-lo – o que contraria as leis do jogo.

Ponto.

A partir disso, qualquer pessoa que conheça minimamente o Direito reconhece, e não pode contestar, o direito do Fluminense de recorrer aos tribunais para pedir a anulação do jogo. Mesmo porque, a partir de instalação do processo, haverá todo um ritual que desaguará na decisão do tribunal, dando ou não razão ao reclamante – e o STJD simplesmente pode negar o pedido do Flu, pois provar interferência externa não é assim tão fácil.

Ou seja, do ponto de vista do Direito, ir ao tribunal é direito do Flu.

Ponto.

Agora, e do ponto de vista do bom senso? Será que é útil criar tanta celeuma, atrapalhar (para dizer o mínimo) o campeonato por causa de um gol claramente irregular?

Esse blogueiro acha que não.

Ao tomar tal atitude (legal, volte-se a ressaltar), a diretoria do Flu agiu de maneira convencional. Usou a surrada tática de dar uma satisfação à torcida e à instituição, enfim a toda comunidade tricolor. Isolou o bom senso para fora do campo, do estádio.

Peter Siemsen e seus pares perderam boa oportunidade de capitalizar o erro decorrente do erro a favor do Flu – um clube que convive com a pecha, injusta na maioria das vezes, de recorrer a artifícios diversos para evitar quedas de divisões.

Teria sido muito melhor para a imagem do Flu que Siemsen reclamasse, se posicionasse de forma firme, mas abrisse mão da possibilidade legal do pedido de anulação em nome do bom senso.

O futebol brasileiro, menos os dirigentes e os fanáticos claro, aplaudiria o gesto do Fluminense.

A sinalização de que, apesar os erros, inúmeros e muitas vezes até inexplicáveis, da arbitragem, futebol se ganha no campo.

Algo que o Fluminense não vem fazendo, pois o futebol que tem jogado é ridículo (para dizer o mínimo).

Ao fim do Brasileiro, jogue-se ou não o Fla-Flu, se o Fluminense não conquistar a vaga na Libertadores será por sua incompetência, única e exclusivamente.

O resto é conversa fiada.

Ponto.