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O São Paulo, enfim, mereceu vencer

Almir Leite

22 de abril de 2015 | 23h49

O São Paulo mostrou, na vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, no Morumbi, um poder de reação que muitos desconfiavam que a equipe não teria. Afinal, vinha jogando de maneira apática e perdendo um clássico atrás do outro, sempre comportando-se como uma equipe pequena. Mas desta vez não. O São Paulo jogou como São Paulo.

Não foi, claro, uma exibição primorosa. Não dá para sair soltando foguetes com o que a equipe rendeu tecnicamente. Mas também não dá para ignorar que produziu bem mais do que vinha produzindo. Desta vez, finalmente, o São Paulo teve raça. Os jogadores se dedicaram, lutaram, algo que não vinham fazendo com afinco desde o início do ano.

Claro que só raça não resolve, ou pelo menos na maioria das vezes não resolve, num jogo de futebol. Ainda mais num clássico.

O fato de o time ser agressivo, ter jogado em cima do Corinthians, ter diminuído os espaços, foi preponderante. Deixou o adversário, que está se acostumando a dar as cartas sem que ninguém lhe incomode, acuado, sem ação, sem saída de jogo.

Refiro-me ao primeiro tempo, pois o segundo a rigor pouco teve de útil, de prático. Na etapa final, após perder seu centroavante e o Corinthians ficar com nove em campo, o São Paulo preocupou-se mais em garantir a vantagem que havia obtido do que em aumentá-la.  Fosse mais ousado, mais corajoso, atacasse mais e poderia ter feito placar ainda mais dilatado. O que psicologicamente seria ainda melhor.

Mas a vitória foi importante pelo poder de recuperar, por empolgar a torcida. Por acenar com dias melhores.

E o Corinthians nem pode reclamar que teve seus planos prejudicados pela expulsão, infantil mas ao mesmo tempo rigorosa, de  Emerson aos 20 minutos.  Não tem esse direito porque até aquela altura não tinha feito praticamente nada em campo.

A vitória foi importante, merecida, dá moral, pode representar um novo momento, mais favorável, para o São Paulo. No entanto, é bom não se enganar. O time continua com limitações e o elenco nem de longe é essa maravilha que os dirigentes tricolores apregoam. O sucesso é possível? É. Mas só como muita ralação, muito empenho. Como se viu nessa quarta-feira.

Ao Corinthians, que vinha sendo reverenciado por sua competitividade, seu futebol moderno e entrosamento, fica o alerta – dado inicialmente pelo Palmeiras, em pleno Itaquerão: Tite precisa arranjar um jeito de fazer o time jogar quando é atacado.

A lamentar a péssima arbitragem de Sandro Meira Ricci. Pressionado antes do jogo pelo presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, sentiu o golpe.

Foi rigoroso ao expulsar Emerson pelo totozinho dado em Rafael Toloi.

Errou ao expulsar Mendoza por uma agressão que ele mesmo disse não ter acontecido – ao expulsar Luiz Fabiano disse ao atacante são-paulino que ele estava recebendo o segundo cartão amarelo por ter simulado a agressão.

Errou também ao expulsar o atacante.

Outro erro: Centuríon simulou ter sido agredido por Elias e nem amarelo levou. E o critério, seu Sandro?

Num jogo tenso como o clássico, intimidar jogadores com cartões vermelhos é sinal de fraqueza, não de autoridade.