As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O clássico Fluminense x Vasco da vergonha

Almir Leite

02 de dezembro de 2015 | 22h25

Lamentável. Triste. Ridículo. Perigoso. A esses quatro adjetivos podem ser acrescentados inúmeros outros, nenhum deles positivo, para definir o clima criado pelo fato de o Vasco depender do Fluminense para manter-se na Série A1 do Brasileiro. Depender? Se for levado em conta as contingências atuais da tabela, sim. Se considerarmos o que ocorreu nas 37 rodadas disputadas até aqui, não. O Vasco encontra-se na situação em que está por sua própria culpa.

Mas no futebol não é assim que as coisas funcionam. Há a rivalidade, o fator emoção, o oportunismo, o comodismo. Por isso, basta haver algum tipo de coincidência – como se pode considerar neste caso, uma vez que o tema envolve dois times do mesmo Estado, rivais ao longo dos anos e que vivem uma animosidade em grau aumentado nos últimos meses, por fatores que nada têm a ver com posição na tabela de classificação – para que seja explorada à exaustão.

Inclusive por boa parte da imprensa, visto que dá audiência e, acima de tudo, é assunto de fácil exploração, dá pouco trabalho.

Aí, é o que se vê.

É diretor de clube (no caso Mario Bittencourt, do Flu) sendo ameaçado por uma rede social de ter a filha sequestrada depois de o clube “fazer seu papel” no jogo de domingo contra o Figueirense – como quem o ameaçou não foi identificado, não se sabe se é o torcedor do Tricolor que quer que o time perca para prejudicar o Vasco ou se é um vascaíno que exige que o Flu ganhe para livrar a cara da equipe pela qual torce.

É torcedor indo a treino pedir para os jogadores entregarem o jogo, como fizeram dois tricolores nesta quarta-feira nas Laranjeiras.

É dirigente do Vasco insinuando que o Flu teria má vontade para prejudicar seu time…

Claro que também teve jogador falando besteira.

Rodrigo, do Vasco, desancou Fred e o Fluminense depois do jogo do primeiro turno e foi tratado como herói. Aliás, o zagueiro usa a boca para esconder suas deficiências técnicas e a torcida do Vasco “compra a ideia”. Reflexo de um tempo em que o time é tão fraco que raça e boca solta são mais importantes que a qualidade técnica, algo que o vascaíno, conhecendo a grandeza do clube, não deveria tolerar.

Vinícius, do Flu, outro que fala mais do que joga, também contribuiu para a animosidade ao dizer que ficaria feliz se o seu time ajudasse a rebaixar o Vasco – o torcedor inteligente sabe que ele deveria ficar feliz se tivesse ajudado o Flu a ter campanha decente no Brasileiro, algo que ele não fez.

Há, também, a polêmica pelo espaço da torcida no Maracanã. O Vasco entende que o lado direito das cabines de rádio tem do seu torcedor, porque sempre foi, e o Fluminense se diz no direito de ocupar o local porque assinou contrato com o consórcio que administra o estádio antes do rival e foi isso o que foi definido.

Por tudo isso, o vascaíno acha que o Fluminense tem de salvar seu time – e teme que isso não ocorra. E o Tricolor acha que que seu time tem de entregar o jogo para enterrar o Vasco.

Quanta insanidade!

Nesse contexto, ninguém lembra que o Vasco tem de fazer sua parte (vencer o Coritiba) antes de mais nada. E que o Fluminense, com péssima campanha no segundo turno e de maneira geral no campeonato – perdeu mais do que o Vasco, 18 a 17 -, é azarão em Florianópolis. O favorito é o Figueirense.

Mesmo porque, nas três vezes em que o Fluminense jogou em Santa Catarina neste Brasileiro, foram três derrotas (0 a 1 para o Avaí, 1 a 2 para a Chapecoense e 1 a 2 para o Joinville).

Mas caso o Vasco vença seu jogo e seja rebaixado, muita gente vai falar que o Fluminense entregou. E muita gente vai acreditar. E alguns podem até ter reações violentas por conta disso (vale lembrar que torcedores tricolores e vascaínos estão se esmurrando e se matando faz alguns meses). Uma pena, mas esta imbecilidade também faz parte do futebol brasileiro.