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Oportunismo

Almir Leite

26 de setembro de 2012 | 22h21

É evidente que aumentos nos custos das arenas da Copa não devem ser bem recebidos e nem engolidos candidamente.

 No limite, deve-se aceitá-los somente depois de provado e comprovado por A + B que realmente foram necessários – e inevitáveis. Até porque vai ser dos cofres públicos, ou seja, do nosso bolsinho, que sairá esse “dinheirão a mais”.

Nem por isso, no entanto, deve-se engolir a Fifa posando de boa samaritana quando alguém alerta que a conta de algum equipamento vai crescer.

É o caso, por exemplo, da Arena Pernambuco, como publicamos na edição de 26 de setembro do Estadão. A obra era para dezembro de 2013, terá de ser entregue em fevereiro para ser incluída na Copa das Confederações e, com isso, o ritmo e a logística dos trabalhos tiveram de ser mudados, impactando, segundo os envolvidos, o custo.

E olha que R$ 532 milhões, preço estipulado inicialmente para a obra, é uma grana considerável. Por menos do que isso já foram feitas várias arenas ultramodernas mundo afora. 

É um alerta para o Ministério Público, que já avisou que ficará de olhos bem arregalados.

E, quando a fatura por apresentada, espero que a Secopa pernambucana realmente faça uma auditoria profunda para ver se os números estão mesmo certos, como prometeu.

 Bem, mas voltando à Fifa. Um membro do Comitê da Copa da Entidade, o interminável paraguaio Nicolas Leóz, diz não ver razão para aumento de custos. Sua alegação: preço de tijolo e de ladrilho não sobe.

É um argumento, ao meu ver, pueril.  Até porque, cotação de tijolo e ladrinho à parte, podem apostar que não vão ser tais itens que serão apresentados como motivo para o ‘engordamento’ da conta.

Leóz poderia, uma vez que está envolvido na organização e fiscalização da Copa, dar argumentos mais sólidos. Faria bem para o Brasil e para a Fifa.

Mas não o fez por um simples motivo: não está nem aí se o valor da Arena Pernambuco, e das outras, vai subir ou não.   

Ele quis apenas aproveitar a chance para dar uma de bonzinho em nome da Fifa. E desses santinhos do pau oco, como diria minha saudosa avó, devemos manter distância.

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