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Os ‘elefantes brancos’ entram de vez na sala

Almir Leite

21 Fevereiro 2017 | 10h34

Que os estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo em Manaus, Cuiabá, Natal e na capital federal não teriam utilidade já se sabia desde antes de Ricardo Teixeira patrocinar a entrada dessas quatro cidades na farra. O tempo passou, a grana rolou, o Mundial acabou, o pouco uso se confirmou, a conta ficou, mas a tentativa de seus administradores de enganar os trouxas – jurando haver plano de negócios para torná-los rentáveis – perdurou. Até que clubes e CBF deram o tiro de misericórdia e escancaram a realidade. Tais estádios são, sim, elefantes brancos.

A oficialização do “savanístico” destino da Arena da Amazônia, da Arena Pantanal, do Mané Garrincha (acho que em respeito ao craque vou passar a chamá-lo de Estádio Nacional, como queriam os organizadores brasileiros da Copa e a dona Fifa) e da Arena das Dunas se deu com uma decisão simples -e coerente: a proibição da venda do mando de campo dos jogos do Campeonato Brasileiro.

Ou seja, acabou a festa de os clubes, sobretudo os do Rio, quererem jogar em Natal, Brasília, Manaus e outras cidades partidas em que têm o mando. E não adianta nem querer dizer que não há estádio no Rio para que possam atuar. Afinal, o limite mínimo de capacidade para jogos do Brasileiro foi reduzido para 12 mil pessoas, e assim dá para jogar na Ilha, em São Januário, em Mesquita…

Mas esse não é o ponto. O ponto é: o que fazer agora com os nossos elefantes (sim, nossos, pois adivinhem quem vai pagar continuar a pagar a conta?)

Os quatro estádios citados, que têm alto custo de manutenção, já vivem às moscas. E, a partir de agora, nem elas deverão passar por lá.

Jogar Estadual em algum desses estádios não dá. O custo não compensa. E obrigar clubes a tomar prejuízo, como a Federação Potiguar quer fazer com ABC e Globo, determinando que disputem a final do turno local na Arena das Dunas, é no mínimo atentar contra as mais básicas noções de profissionalismo.

A alternativa vai ser fazer torneios de pré-temporada, nos moldes da Florida Cup, e amistosos. Pouco.

Mesmo porque, até um a ideia paliativa de José Maria Marin, quando era presidente da CBF – a de levar partidas finais para Copa do Brasil para esses elefantes como forma de alimentá-los parcamente – não vingou. O tempo passou, Marin deixou, e perdeu, o poder como bem se sabe, e tal iniciativa não prosperou.

Pelo jeito, tais arenas viverão – se é que se pode usar tal palavra – de shows esporádicos, eventos corporativos, casamentos, e um ou outro joguinho. Logo estarão, todas, caindo aos pedaços (a arena de Cuiabá já está, ao que se sabe).

É claro que logo os domadores (ops, administradores) dos elefantes vão aparecer, garantindo que têm formas e fórmulas para torná-los rentáveis. Aí, vai acreditar quem quiser. Certo mesmo é que a conta, salgada, continuará a ter de ser paga.