Palmeiras estreia bem e deixa uma pergunta no ar: por que Tite ignora Dudu e Raphael Veiga?
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Palmeiras estreia bem e deixa uma pergunta no ar: por que Tite ignora Dudu e Raphael Veiga?

Jogadores fundamentais para a vitória sobre o Al Ahly, e não só pelas jogadas dos gols, estão bem há tempos, mas nada de chance na seleção

Almir Leite

08 de fevereiro de 2022 | 17h23

O Palmeiras está merecidamente na decisão do Mundial de Clubes. A vitória sobre o Al Ahly foi sobretudo consequência de um time bem preparado, focado e que fez um excelente jogo.

O time egípcio não é nenhuma galinha morta, tem jogadores e maneira de atuar – parecida com a do Palmeiras – interessantes. Mas não conseguiu ser competitivo contra um adversário que soube impor seu ritmo, que deu ao jogo a “cara” que lhe era mais conveniente.

Coletivamente, o Palmeiras foi forte, como quase sempre é. Por isso, vou me ater à questão individual – que obviamente contribuiu para a força do conjunto. Isso porque, durante o jogo, já antes do primeiro gol uma pergunta veio de novo à minha mente:

Por que Dudu e Raphael Veiga não têm uma chance na seleção brasileira? Ou então, por que não tiveram uma oportunidade  com Tite?

(A convocação de Dudu para aquele jogo beneficiente com a Colômbia realizado no Engenhão, obviamente, não conta.)

Tite não precisa dizer por que não dá chance a Raphael Veiga e Dudu: não vai convencer mesmo…

Tite está no comando da seleção há quase seis anos. Nesse período, Dudu atravessou grande fase no Palmeiras diversas vezes, antes e depois da temporada que passou no Catar, com a vantagem de vir, há algum tempo, controlando seu pavio curto.

Raphael Veiga tem jogado em alto nível há pelo menos dois anos, algo que normalmente não é fácil. Apenas os craques conseguem – e não estou dizendo que Veiga esteja na mesma prateleira do seletíssimo grupo de primeira linha do futebol mundial.

O que fizeram em Abu Dabi, e não me refiro apenas às jogadas dos dois gols, é apenas reflexo da boa fase deles.

Mas ambos foram e são ignorados por Tite, e tudo indica que, nesta reta final de preparação para a Copa, continuarão sendo.

Concordo com o raciocínio que jogar na Europa desenvolve o jogador em todos os aspectos, técnico, tático, disciplinar, profissional, físico…

No entanto, essa não é uma verdade absoluta. Há jogadores muito bons no futebol brasileiro. No nível dos muito bons que estão na Europa.

Se aqueles têm chance, aliás chances, por que os daqui não podem ter?

O ex-meia Alex, que marcou época como jogador e tem tudo para se tornar um grande treinador por seu conhecimento e inteligência, diz, com muita propriedade, que não é o momento que convoca um jogador para a seleção e sim a preferência do técnico.

Concordo em gênero, número e grau com essa afirmação. E digo mais: Tite a confirma a cada convocação.

Claro, óbvio, que os treinadores têm de ter suas convicções, suas preferências. Mas também precisa ter sensibilidade e inteligência -o que levaria a uma convocação de Raphael Veiga e Dudu para os jogos de março, por exemplo.

Do contrário, no caso brasileiro, as chances de sucesso na única competição que realmente vale alguma coisa para a seleção, a Copa do Mundo, ficam menores.

E segue a vida…