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Palmeiras, merecido campeão de um pobre Campeonato Paulista

Um dos piores Estaduais das últimas décadas teve como vencedor o melhor time, mas que se comportou como o menos pior

Almir Leite

08 de agosto de 2020 | 19h55

O Palmeiras mereceu o título paulista. Tem mais time, elenco com muito mais alternativas, e fez campanha melhor que o Corinthians. Pecou pela irregularidade nos jogos pós-paralisação, mas jogou bem na vitória sobre a Ponte Preta que o colocou na final e na partida decisiva foi superior ao rival. Pouca coisa, mas foi.

Mas a ajuda dos deuses do futebol ao destinar um Palmeiras x Corinthians para decidir um campeonato comprometido pela interrupção inesperada e por um retorno fora dos padrões a que estávamos acostumados – por imperiosa necessidade -, não pode maquiar a realidade. O Campeonato Paulista de 2020 foi bastante ruim, quase péssimo até, um pior num período de pelo menos 20 anos.

Estava ruim antes da paralisação e piorou na volta.

É fato que os jogadores ficaram muito tempo parados, que perderam ritmo e isso não se acha do dia para a noite, que muitos times perderam jogadores e tiveram que contratar outros, o que compromete o entrosamento, que o próprio clima dos estádios vazios torna o jogo diferente e esquisito….

Tudo isso é verdade, mas também é verdade que os times, na volta, não fizeram jogaram nada, que os jogadores, praticamente todos, “amassaram a bola” – como eles mesmo dizem -, que, a rigor, nada que se prestasse foi visto na retomada.

Tanto que o fato que mais chamou atenção foi um jogador, Zé Roberto, que estava apenas treinando no Mirassol, foi inscrito de última hora, pegou uma condução (na verdade um avião) com a chuteira debaixo do braço, chegou pouco antes do jogo e fez dois gols contra o São Paulo.

O São Paulo, que foi uma das decepções do campeonato. Isso porque vinha bem até a parada e perdeu totalmente o rumo. A outra decepção foi o Bragantino, que prometeu muito mas, na “hora do vamos ver”, erros dos exames de covid à parte, perdeu as asas e pipocou diante do Corinthians.

Corinthians que quase chega ao tetracampeonato inédito mais pelos deméritos dos outros do que por suas virtudes. É justo reconhece que elas existiram. Tiago Nunes acertou o time ao optar por um forte esquema defensivo e “jogar por uma bola”, às vezes duas, na hora de construir o resultado.

Mas o Corinthians não resistiu às próprias limitações do elenco. Limitações que ficaram clara diante de um adversário mais bem estruturado. Nem me refiro ao primeiro jogo da decisão, na quarta-feira, pois a falta de ambição dos times, de vontade dos jogadores e o medo que Palmeiras e Corinthians mostraram de perder fizeram daquela partida forte candidata a uma das piores do ano.

As limitações do Corinthians ficaram claras, bem claras, na partida deste sábado, a que decidiu de fato o campeonato – nos pênaltis, pois uma competição tão medíocre não poderia mesmo ser definida de outra forma que não fosse a bola parada.

Para resumir, pois não vale perder tempo com peladas quando elas são jogadas por profissionais bem pagos, basta observar o que aconteceu após o gol do Palmeiras. Mesmo considerando-se que o Palmeiras se fechou muito bem, como exemplicam os vários desarmes defensivos feitos por Willian e Roni, transformados em assessores dos laterais (Luxemburgo, você ja foi um técnico que gostava de jogar defensivamente!!!), o Corinthians não teve capacidade técnica para reagir. Não tem jogadores com qualidade para furar o bloqueio na base do drible e da tabela, por exemplo.

Além disso, não têm coragem. Sao tímidos. Não arriscam fazer um lance diferente, ainda que isso possa salvar o time. Preferem perder taticamente (diga-se que esse não é um mal apenas do Corinthians; aliás, o Corinthians é apenas mais um afetado por esse mal).

Assim, não fosse a imprevidência (ou será mesmo a burrice) de Gustavo Goméz, nem para os pênaltis a decisão teria ido. Só esse fator, deu uma sobrevida ao sonho de tetra do Corinthians. Mas, no fim, justiça se fez, e o menos pior levantou a taça.