Paulo Sousa, o que nasceu morto no Flamengo, enfim foi executado. Será Dorival a próxima vítima?
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Paulo Sousa, o que nasceu morto no Flamengo, enfim foi executado. Será Dorival a próxima vítima?

Treinador português foi rejeitado desde sua contratação, sofreu grande pressão e acabou degolado, como era mais do que previsível; que o sucessor tenha ao menos paz para trabalhar

Almir Leite

09 de junho de 2022 | 16h48

Paulo Sousa foi anunciado técnico do Flamengo na época do Natal passado como presente de consolo para a torcida, já que os vários outros treinadores cortejados pela diretoria, Jorge Jesus à frente, disseram não. No entanto, os torcedores consideraram estar recebendo um presente de grego e já passaram a criticá-lo antes mesmo que entrasse no avião em direção ao Rio.

Aos torcedores, juntou-se boa parte da imprensa especializada, que torceu o nariz para a contratação de alguém que, para todos eles, não estava à altura do clube e do elenco que ele teria em mãos.

Eram claros os sinais de que, depois de Jorge Jesus, o deus, Portugal mandaria para o Flamengo Paulo Sousa, o breve.

Paulo Sousa foi vítima da forte pressão externa e da falta de resultados

Não deu outra. Nesses seis meses de trabalho, Paulo Sousa não teve um só dia de paz.  Todas as suas ações eram alvo de críticas. Se fazia era porque fez; se não fazia era porque não fez.

E fato que o treinador também não colaborou consigo mesmo. Tomou um monte de decisões equivocadas, variou esquemas sem que nenhum deles engrenasse, não respeitou as características de jogadores, arranjou encrencas com outros, foi alvo da má vontade de outros tantos,  jamais definiu sequer um time base … Enfim, a rigor o Flamengo de Paulo Sousa em nenhum momento jogou um futebol convincente, mesmo na competição em que tem ótima campanha, caso da Libertadores.

Paulo Sousa não entendeu como funcionam as coisas no futebol brasileiro e, particularmente, no Flamengo. Preferiu se agarrar às suas convicções (algumas com jeito de devaneios), mesmo com o mar revolto, e afundou com elas.

Era pedra cantada. Ele já nasceu para o Flamengo condenado à morte. Faltava apenas a execução, que veio com a derrota para o Bragantino (aliás, ainda não veio de maneira oficial pelo que se sabe, pois a decisão foi tomada, a procura pelo substituto começou, mas o treinador ainda não foi comunicado da demissão, em claro sinal de desrespeito).

Pelo menos terá o consolo de receber R$ 7,7 milhões pelos seis meses nos trópicos. Bom lucro para quem pagou do bolso, segundo consta, R$ 2 milhões para se livrar da seleção da Polônia e trocar uma Copa do Mundo por uma aventura. Financeiramente, bom negócio. Profissionalmente, porém, ele quebrou a cara.

Sousa logo será passado e o presente é Dorival Junior, que o Flamengo foi buscar no Ceará. Direito dele trocar um clube médio por um dos maiores, senão o maior, do Brasil. Certamente ele vai assumir consciente de que pode ser o próximo a ir para o paredão, e sem escalas, como foi o português.

O Flamengo, desde que essa diretoria, já colocou em seu moedor de carne Abel Braga (embora este tenha pedido para ir), Domènec Torrent, Rogério Ceni (campeão brasileiro), Renato Gaúcho e Paulo Sousa. E Dorival foi o primeiro que Landim e cia. chutou ao assumir no fim de 2018 – na época para contratar Abel. O que terá mudado agora?

JÔ, O PAGODE E A RESCISÃO

No post anterior, critiquei a condenação sumária ao Jô por ele ter sido flagrado em um pagode enquanto o Corinthians penava, e perdia, em Cuiabá. Critiquei o não aprofundamento da apuração do fato, uma vez que foi o cômodo recurso de se aproveitar de um vídeo que alguém jogou nas redes, algo cada vez mais comum.

Pois Jô tratou de fazer rapidamente a parte dele para dar razão a quem o condenou. Na manhã seguinte faltou ao treino, sem justificativa, o que então tornou o que seria apenas falta de bom senso em erro grave. Mais 24 horas e ele teve o contrato com o Corinthians rescindido, como, aliás, queria. Ou seja, tudo indica que o tan tan no boteco foi apenas um artifício para forçar a rescisão.  Atitude não condizente com um profissional.