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Pedir Endrick no Mundial é quase bullying com o garoto; sorte que Abel tem bom senso

Com apenas 15 anos e enorme talento, garoto ainda está em formação e seria até covardia dar a ele tamanha responsabilidade

Almir Leite

24 de janeiro de 2022 | 15h02

O garoto Endrick, de quem poucos, pouquíssimos mesmo, haviam escutado falar antes da Copa São Paulo de Futebol Júnior, mostrou quando a bola rolou ser uma pedra preciosa. Pedra que precisa de lapidação, como de resto todas as verdadeiramente preciosas.

No entanto, bastou ele dar duas ou três mostras de seu enorme talento – ou melhor seria dizer enorme potencial? – para que já surgisse, na torcida do Palmeiras e na imprensa esportiva, quem defendesse sua inclusão no grupo que vai disputar o Mundial de Clubes.

E, claro, fala daqui, comenta dali, o burburinho cresceu. Endrick no Mundial quase virou campanha. Empolgados ou precipitados, ou as duas coisas, os defensores da ideia desconsideraram vários fatores. O principal deles é que Endrick tem APENAS 15 anos.

Abel Ferreira

Abel Ferrera teve bom senso, não fez média e tomou a decisão certa sobre Endrick

Está, portanto, em formação. Ainda é muito verde para ter sobre os ombros tamanha responsabilidade – afinal, ser campeão mundial é a maior obsessão da comunidade palmeirense.

Alguns alegaram que nem era preciso utilizar Endrick em jogos nos Emirados Árabes Unidos. Levá-lo para que convivesse com os profissionais – ele ainda não o é -, e sentisse o clima já seria suficiente. Serviria como aprendizado.

(Admito que não consigo entender que lógica teria um treinador levar para uma competição tão importante como o Mundial não jogador que não pensa em  utilizar…)

Outros lembraram que em 2010 a chiadeira contra a não convocação de Neymar para a Copa da África do Sul foi quase geral. Esqueceram-se certamente que Neymar já tinha 18 anos na época, era titular do Santos e até havia conquistado títulos.

Não há semelhança.

Ainda bem que Abel Ferreira não tem entre seus defeitos querer agradar, fazer média, nem com torcida nem com imprensa.  Assim, ele cortou o mal para raiz e acabou com a brincadeira de mau gosto ao dizer que Endrick ainda está na fase de brincar na Disneylândia.

Abel está certíssimo. Por mais talentoso que seja, Endrick tem bom caminho a percorrer até se tornar um jogador profissional de futebol.

Querer queimar etapas é jogá-lo às traças. Quem pode se dar mal é ele, não quem o quer no Mundial. Esses, se o garoto se perder pelo caminho, logo vão esquecê-lo – não antes de criticá-lo – e sairão atrás de um novo Endrick para sacrificar.