Pipocada dos jogadores da seleção tem interesses que vão além do patriotismo
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Pipocada dos jogadores da seleção tem interesses que vão além do patriotismo

Atletas foram omissos ao decidir não criticar CBF e governo e trataram de preservar os próprios contratos

Almir Leite

09 de junho de 2021 | 22h46

Depois de mais de três décadas acompanhando profissionalmente o futebol, este blogueiro  jamais teria apostado mais do que 10 centavos de real na possibilidade de os jogadores da seleção brasileira se recusarem a disputar a Copa América. O que não evitou a enorme frustração pela pipocada monumental que deram ao se “posicionar” contra a organização da competição no Brasil.

Críticas, só à Conmebol, que nessa altura do campeonato não se importa nem um pouco em ser malhada, desde que consiga fazer o torneio e cumprir seus compromissos comerciais. Contra o governo federal, que enfiou mais esse pepino goela abaixo dos brasileiros, e contra a CBF, de cujo presidente afastado partiu a iniciativa, nenhum A, nenhuma palavrinha desagradável.

Marquinhos vai muito bem dentro de campo, mas escorregou feio fora dele

Só não digo que os jogadores foram covardes porque está na cara que há muita coisa por trás do “jamais diremos não à seleção brasileira”.

Cito apenas uma delas: os interesses comerciais dos jogadores. Isso mesmo! Assim como a Conmebol, todos os jogadores têm interesses comerciais.  Têm contratos com diversas empresas e a participação em um motim poderia  respingar nos seus parceiros, causando problemas para eles.

Não seria nada demais, até porque os jogadores fizeram por merecer os contratos que têm. E porque não se pode negar a eles a opção por jogar o torneio, sob protesto ou não, se assim entenderam.  Têm também o direito de não querer briga com a CBF,  mesmo porque o desafeto deles foi afastado, e até de serem simpáticos a esse governo (?) que aí está.

Os jogadores só não deveriam ser hipócritas. Quem conhece de perto os meandros do futebol sabe que não é sempre que eles se preocupam com os 200 milhões de torcedores. E que o sonho de criança de defender a seleção brasileira divide espaço com outros interesses em vestir a camisa amarelinha quando crescem.

Mas o pior de tudo é a hipocrisia de atribuir à imprensa a polêmica, como fez Marquinhos. Negar que os jogadores, ou vários deles, pensaram em não jogar a Copa América e que isso foi discutido no grupo é mentir, é não ter coragem de assumir os próprios atos.

Dezenas de profissionais que passaram dias, e até noites, dedicados a saber o que estavam acontecendo – porque os atletas simplesmente optaram por fechar a boca – não falaram e escreveram tanta coisa apenas por conta da imaginação.

Mas deixa estar. A experiência mostra que ainda vai vir à tona muitos fatos ocorridos nestes dez dias que abalaram a seleção brasileira.

Ainda que possa demorar, os corajosos, os sinceros e os que se importam com a verdade vão, com o passar do tempo, revelar tudo o que aconteceu. E como aconteceu.

Já os covardes… bem, esses continuarão covardes.