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Por que Neymar se foi

Almir Leite

23 de junho de 2015 | 10h54

A CBF poderia ter lutado mais para manter Neymar na seleção brasileira que disputa a Copa América. A quem considere que deveria ter feito isso, pois se trata simplesmente do craque da seleção.

Mas seria inútil.

Quem acompanhou de perto a movimentação dos responsáveis pelos julgamentos dos casos disciplinares da Copa América – membros do Tribunal Disciplinar (primeiro instância) e da Câmara de Apelações (segunda instância) da Conmebol – percebeu sem nem precisar prestar muita atenção que a pena de quatro jogos não seria reduzida.

E Guilhermo Saltos, o equatoriano a quem iria caber julgar possível recurso da defesa de Neymar, deu sinais, vários, aqui e ali, de que não iria reformular a pena.

Não poderia aumentá-la, ao contrário de algumas versões correntes por aí. As regras disciplinares da Conmebol não permitem isso. Poderia reduzir para três jogos, o que não iria fazer.

Saltos estava menos preocupado com a tentativa de cabeçada de  Neymar em Murillo do que com as ofensas de Neymar ao juiz Enrique Osses – o craque disse que não ofendeu ninguém, mas, além de os xingamentos constarem da súmula, várias pessoas relataram que ouviram as ofensas e, mais do que isso, viram um destemperado Neymar precisar ser contigo por companheiros e segurança.

Pode haver exagero em relação ao “destempero” e além disso não há menção concreta disso na súmula. Mas Saltos tem ouvidos. E tem fama de durão. E decidiu não amaciar.

Mesmo porque, em época de escândalos envolvendo cartolas – e tem gente da América do Sul atolada até a cabeça – alguém tem de mostrar austeridade. E alguém tem de pagar o pato.

Havia, sim, a possibilidade de levar Neymar perante a ele, para  o craque se explicar e pedir desculpas.

Essa hipótese, porém, era arriscada, por ser frágil. Entre outros motivos, porque a Câmara de Apelações jamais fez um julgamento com a defesa do réu feita in loco.

Até hoje, apenas duas vezes o Tribunal Disciplinar, a primeira instância, só fez duas sessões com a presença dos acusados: um julgamento de clubes uruguaios punidos por comportamento violentos de jogadores e torcedores e o recente caso do Boca Juniores na Libertadores. Em ambos a pena foi dura.

Assim, de Neymar ficasse frente a frente a Saltos e a pena não mudasse, seris desgastante para a imagem dele e também mais um comprovação da perda de prestígio político da CBF.

A avaliação era de que não valia a pena correr riscos por redução de pena tão pequena – no máximo Neymar jogaria a final, se o Brasil chegasse lá.

Além disso, o próprio jogador sinalizou que, se fosse pra  ficar com o grupo sem poder jogar,  preferia ir embora. Seus companheiros e Dunga concordaram. Não decidiram por ele, mas concordaram.

E assim Neymar se foi. Agora, o capitão do Brasil é Miranda.

Mas de craque a seleção ficou órfã.