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Presidentes de Corinthians e Palmeiras criam uma polêmica infantil e desrespeitosa

Discussão por causa dos testes do novo coronavírus é um acinte num país com quase 100 mil mortos, e reflete o medo de perder

Almir Leite

04 de agosto de 2020 | 15h43

O Brasil caminha para atingir 100 mil mortos por causa da covid-19. Uma grande tragédia. Perda de vidas maior até do que em algumas guerras.  Parece, porém, que isso é uma questão menor para os presidentes de Corinthians e Palmeiras, diante do que, pelo jeito, consideram um assunto maior, e mais importante: a decisão que os rivais farão do Campeonato Paulista – aliás, Paulistão ou Paulistinha, conforme o interesse e a situação.

A polêmica criada por causa dos testes do novo coronavírus ilustra bem esse desrespeito a um dos maiores dramas na humanidade no último século. Não pelo fato de o  presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, dizer que não iria testar seus jogadores antes da primeira partida da decisão porque eles não estavam confinados ou por essa questão de ter sido levantada pelo presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, que testa seus jogadores periodicamente, pois optou por não mantê-los em isolamento, e quis esquentar o clima.

Ambos têm razão, como disse o chefe médico da Federação Paulista, Moisés Cohen, uma vez que o protocolo do campeonato dá a opção de escolher – nesse caso, errada está a federação, pois o bom senso indica que um protocolo que cuida de saúde e de vidas deve ter as mesmas regras para todos, sem casuímos ou opções.

O desrespeito se dá porque esse assunto nrem sequer deveria ter sido levantado, em respeito aos cerca de 95 mil mortos e quase 3 milhões de infectados somente no Brasil – até agora.

Mas, como bem disse o professor Edil, técnico do Palmeiras –  personagem de Lima Duarte no maravilhoso filme Boleiros, de Ugo Giorgetti – à sirigaita que queria fazer a alegria do craque alviverde na noite que antecedeu a um dérbi, “a senhora não sabe o que é um Parmeira e Corintia”.  Aí entra o vale-tudo, o medo de ambos de perder para o rival, a necessidade de jogar para a torcida para justificar por antecipação a derrota se ela vier, e nesse contexto usa-se algo ligado à pandemia para criar clima.

Uma vergonha. Acima de tudo, porém, uma mostra de que nossos dirigentes não conseguem mudar a mentalidade. E uma pena, pois em vez de agir como se fossem alunos rebeldes de escolas primárias, perderam uma chance, mais uma, de se comportar como seus cargos exigem e como a tradição de seus clubes, e os torcedores destes, merecem.

Depois ainda tem quem não entenda por que o futebol brasileiro não ganha mais nada.

 

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