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Punir os clubes por causa da seleção é o fim do mundo!

A bagunça só aumenta. Agora, além da seleção principal, a olímpica também prejudica o Campeonato Brasileiro em troca de nada

Almir Leite

20 de setembro de 2019 | 15h46

Está cada vez pior. Agora, não é apenas a seleção principal que desfalca os clubes brasileiros por causa de amistosos pouquíssimo relevantes. A seleção olímpica também entrou na onda (a sub-17 tem seus motivos, pois vai disputar um Mundial). E o Campeonato Brasileiro, que dirigentes da CBF, integrantes da comissão técnica e afins louvam como um dos melhores e mais difíceis do mundo, é avacalhado um vez por mês em troca de nada.

Desta vez, Tite chamou sete jogadores de clubes da Série A para os amistosos de outubro. Jardine foi mais voraz, tirando nove jogadores de duas rodadas, 24ª e 25ª, do Nacional.

E tudo isso por quê?

No caso da seleção principal, porque a equipe vai fazer dois amistosos contra as potências africanas e mundiais Senegal e Nigéria, e ainda por cima esse amistosos serão realizados em um país com grande tradição no futebol e que não é tão longe assim do Brasil. Afinal, os 15 mil e 700 e poucos quilômetros que separam o Rio de Janeiro de Cingapura  não são distância tão grande assim.

Pelo menos a seleção olímpica, que vai enfrentar as não menos fortíssimas equipes da Venezuela e do Japão no Recife, tem a favor de si o argumento de que precisa se preparar para o Pré-Olímpico de janeiro na Colômbia, até porque será um grande vexame se a equipe não conseguir vaga para defender o ouro conquistado no Rio em 2016.

Mas a seleção principal não tem desculpa. Dizer que os jogos não serão realizados em datas que conflitariam com a Libertadores (Grêmio e Flamengo estão na semifinal) é relegar o Brasileirão a segundo plano, é tirar importância do principal campeonato do País.

Também não cola a desculpa de Tite de que é preciso considerar que esses amistosos são preparatórios para as Eliminatórias, que além de só começarem em março de 2020 terão CERCA DE DOIS ANOS de duração.

Tirar jogadores de um clássico como São Paulo e Corinthians, como fizeram os treinadores da seleção principal e da olímpica, não tem importância. Afinal, o que é um São Paulo e Corinthians, “né mesmo!?”

A realidade é que, se prevalecesse o bom senso, esses amistosos da seleção principal não deveriam acontecer – como não deveriam ter sido realizados os do mês passado e não deveriam ocorrer os de novembro.

Ops! deleta! Eles têm de acontecer, pois a CBF (em administração anterior, ressalte-se) vendeu os amistosos da seleção brasileira para uma empresa até 2022.   Além disso, é preciso faturar com a principal fonte de renda da entidade, como atestam os balanços.

E assim a vida segue… Danem-se os clubes, o Campeonato Brasileiro, o torcedor…

PS: pelo menos há esperança. A nova administração da CBF prometeu respeitar as datas Fifa a partir de 2020. Se efetivamente cumprir, terá reconhecimento. E aplausos.

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