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Ramon Menezes, a mais recente vítima do amadorismo dos dirigentes

Ele foi demitido do Vasco porque é mais fácil o cartola mandar o técnico embora do que confessar que montou um elenco ruim

Almir Leite

08 de outubro de 2020 | 16h11

Na quarta-feira, quando acompanhava o clássico entre Corinthians e Santos e recebi a informação de que o Vasco estava levando de três do Bahia no primeiro tempo, este blogueiro teve uma certeza: Ramon Menezes  seria demitido. Não era premonição, informação privilegiada, adivinhação ou algum dom que permita ver o futuro. Nem a pretensão comum àqueles que acham que sabem e entendem de tudo. Era apenas porque não existe nada mais óbvio no futebol brasileiro do que o treinador pagar o pato quando os resultados são ruins.

Estava na cara que Ramon, após levar quatro gols do Atlético Mineiro num só tempo de jogo e três do Bahia também apenas em uma etapa, seria jogado na rua. É assim que os cartolas agem. Não importam nem fatores como a história que o degolado tem no clube ou o seu bom relacionamento com o elenco, condição que muitas vezes garante alguns bons resultados, principalmente quando esse elenco é fraco.

É o caso do Vasco. O elenco é sofrível, de qualidade pra lá de duvidosa. Tem alguns jogadores jovens com bom futuro pela frente, alguns estrangeiros esforçados, mas irregulares, e vários veteranos que são até razoáveis, mas que, apesar da idade, ainda não se conscientizaram que não são nenhuma estrela da bola.

Curto e grosso: o elenco do Vasco é ruim. Mas outra coisa óbvia no futebol brasileiro é a dificuldade que os dirigentes têm de assumir seus erros. Ninguém admite, ou confessa, que montou um grupo de má qualidade, que contratou jogadores que, “tava” na cara, sabia que não iriam render, que contribuiu para a instabilidade do grupo e, por consequência, para a falta de resultados ao atrasar salários…

É o caso do Vasco.

Mas adianta trocar o treinador com um elenco tão deficiente? Quem será capaz de fazer o milagre de levar o Vasco a algum lugar? Jesus (não o Jorge, e sim aquele bem mais famoso)?

Milagre não existe no futebol. Existe o impoderável, mas milagre não.

É só observar o que acontece com o Goiás. Mandou Ney Franco embora porque os resultados estavam ruins. Chegou Thiago Larghi, nem esquentou lugar e foi demitido.  Agora, é Enderson Moreira que está no cargo. E onde está o Goiás? Na lanterna. Culpa dos treinadores ou dos dirigentes que montaram um elenco meia-boca?

Ramon, nos 16 jogos em que comandou o Vasco, obteve resultados até melhores do que o fraco elenco indicava. Sem ele, a tendência é o Vasco continuar ladeira abaixo. Talvez mostre alguma reação quando o novo comandante chegar. Mas, passado o impacto inicial, as coisas voltarão ao normal. À realidade. E a realidade do Vasco é sofrer com um grupo fraco de jogadores.

 

 

 

 

 

 

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