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Recado da Liga aos nossos ‘professores’: Pra frente é que se joga

Técnicos dos semifinalistas da Liga dos Campeões tem algo em comum: em maior ou menor escala, todos são ofensivos

Almir Leite

17 de abril de 2019 | 20h31

Em determinado momento do jogo Manchester City x Tottenham, o time de Pep Guardiola tinha 70% de posse de bola. Naquela altura, fase inicial da partida, o placar registrava 2 a 2. Para isso contribuiu o fato de a equipe de Mauricio Pochettino ter usado os seus 30% para atacar, buscar o gol.

O jogo, como se sabe, terminou 4 a 3 para o City, placar insuficiente para levá-lo à semifinal. Mas o time criou várias chances de gol. O Tottenham também teve as suas. Mesmo jogando no campo do fortíssimo adversário e demonstrando acertadamente cuidados defensivos, não abdicou de atacar.

O Liverpool tem muito mais time que o Porto. Mas, mesmo que houvesse equilíbrio, o time de Jürgen Klopp não deixaria de atacar. O jogo vertical, veloz, com triangulações objetivas é uma das características de que o alemão não abre mão.

O Barcelona superou o Manchester United por ter mais time, por ter Messi e por não abrir mão de ser ofensivo. O time inglês, no entanto, não foi presa tão fácil como os 3 a 0 podem levar a crer. Até porque precisava de resultado, tentou correr atrás.

Mas na modesta opinião deste blogueiro o jogo destas quartas de final da Liga dos Campeões foi a vitória do Ajax sobre a Juventus.  Os holandeses têm um bom time, mas não contam com tantas estrelas como os italianos, a principal delas Cristiano Ronaldo.

E o que o Ajax fez em Turim? Foi pra cima, pra dentro, não teve medo do bicho-papão. Correu riscos, é verdade, mas soube se defender. Acima de tudo, porém, optou por atacar.

Terminada a partida, fiquei imaginando como se comportaria o Corinthians de Carille ou o Palmeiras de Felipão, entre outros professores tupiniquins, se tivessem de enfrentar a Juve, e Cristiano Ronaldo, em Turim. Acho que a resposta é óbvia: jogariam fechadinhos, por “uma bola”. Duvido que se preocupassem em surpreender.

Esse é, na modesta opinião deste blogueiro, um dos mais graves problemas do futebol brasileiro, que há anos se perdeu no meio da multidão e tornou-se igual, e sofrível, ao de um monte de outros países: a insistência dos técnicos em esquemas defensivos, a obstinação por “jogar por uma bola”.

Defender faz parte do jogo. O futebol requer bons sistemas defensivos. É preciso defender, claro.

Mas o futebol brasileiro tinha valor quando era ousado, criativo, ofensivo. Quando o herói era o artilheiro e não o goleiro (por melhor que ele fosse).

O mundo mudou, o futebol mudou, e nessa o Brasil saiu perdendo. E passou a ter medo de ganhar, por preferir não perder;

Por isso, humildemente vou passar a pegar no pé de todo treinador de time grande que for retranqueiro, ou de sempre que um treinador armar esquemas covardes.

E vou exaltar, seja qual for a nacionalidade, treinadores ousados, criativos, ofensivos.

Até porque, como ficou mais uma vez demonstrado nas quartas de final da Liga dos Campeões, é pra frente que se joga.

 

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