Reinaldo, aprenda com Afonsinho: “Quem sabe, sabe; quem não sabe, bate palma”
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Reinaldo, aprenda com Afonsinho: “Quem sabe, sabe; quem não sabe, bate palma”

Cenas como a patética ameaça do lateral do São Paulo a Michael precisam ser combatidas por quem de fato gosta de futebol

Almir Leite

15 de novembro de 2021 | 15h53

Afonsinho foi um jogador de futebol importante dentro e fora de campo. Fora, lutou por seus direitos após ser afastado do time do Botafogo por se recusar a cortar o cabelo e a barba – eram tempos da ditadura – e foi o primeiro a conseguir passe livre, abrindo a porta para toda a classe. Dentro, se destacava por grande técnica, inteligência e visão de jogo.

Doutor Afonso – ele já era formado em Medicina quando jogava -, também tinha tiradas geniais, até por ir direto ao ponto. Certa vez, quando defendia o Olaria, comandou o toque de bola de seu time no final de um jogo com o Botafogo.  O empate por 0 a 0 interessava e manter a bola evitava riscos. Incomodados, os jogadores botafoguenses passaram a aplaudir os do Olaria, ironicamente.

Partida encerrada, Afonsinho foi questionado sobre a atitude dos adversários – o Fogão tinha no time Carlos Alberto, Brito, Jairzinho, Paulo Cezar Caju… “É isso aí. Quem sabe, sabe quem não sabe, bate palma”, respondeu.

Michael marcou dois gols e deu show de bola no Morumbi; Reinaldo fez papel de bobo

Tal passagem ocorreu no Campeonato Carioca de 1971, num 24 de abril, 28 anos e meio antes do nascimento de alguém que em 2o21 estaria jogando na lateral esquerda do São Paulo, Reinaldo.

De lá para cá, o mundo mudou. O futebol também. Mas manteve os ingredientes de sua essência.  Entre eles está a alegria e a qualidade técnica de quem o pratica.

Para além de estratégias, esquemas táticos, força física, são aqueles que realmente sabem jogar bola que mantêm o futebol vivo.

Não a truculência, apesar dos esforços contínuo dos truculentos para tentar se impor.

É isso, Reinaldo. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, bate palma. Aliás, não precisa bater. Não também não pode dar uma de valentão, machão, não precisa querer partir para a agressão – ou ameaçar partir.

Se Michael sabe, tem técnica e categoria, bom para ele. Se um adversário não gosta, acha que ele “faz graça”, que lhe tire a bola, meta-a entre as pernas dele, de-lhe um chapéu.  Mostre que também sabe.

Se não sabe, não tem problema. Apesar de as estrelas (os que realmente sabem jogar bola em alto nível) serem fundamentais –  mais do que isso, vitais -, o futebol também dá vez aos coadjuvantes.

Reinaldo é um deles, por exemplo. Nunca foi nem será um grande jogador. Mas conseguiu reunir capacidades que lhe permitiram fazer uma carreira sólida, passando a maior parte dela em um clube com a envergadura do São Paulo.

Deveria erguer as mãos para o céu, agradecer. E não ficar irritadinho porque alguém sabe fazer o que não sabe.

Como profissional que é, deveria ter consciência de que se não existirem jogadores habilidosos como Michael – sem falar em Vinicius Junior e craques como Neymar e Ronaldinho Gaúcho, só para citar três outros exemplos – não existirão Reinaldos.