As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Relator do Profut reage contra a mudança estatutária da CBF. E os clubes?

Almir Leite

01 de abril de 2017 | 12h02

Esperava-se que fosse dos clubes, mas foi do deputado Otavio Leite a primeira reação efetiva contra a manobra estatutária da CBF que tirou o poder dos clubes e ampliou o das federações estaduais – o que na prática, entre outras medidas, fará com que apenas cartolas de preferência da entidade sejam eleitos para comandá-la. Ele acionou o Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, pedindo a anulação da assembleia que determinou a mudança.

Relator do Profut, o programa de refinanciamento das dívidas fiscais dos clubes com a União que traz embutido medidas de responsabilidade a ser cumpridas, Leite, do PSDB do Rio, argumenta que por força da Lei Pelé, em seu artigo 22-A, “obrigatoriamente todos os clubes de futebol das Séries A e B deveriam ter participado desta reunião, mas nenhuma agremiação foi convocada”.

Isso mesmo. Nenhum clube foi convidado, ou convocado, para  a assembleia, realizada na calada da tarde do dia 23, horas antes de jogo em que o Brasil fez 4 a 1 no Uruguai em Montevidéu. Era para o estádio Centenário que toda a atenção estava desviada e, assim, a reunião foi quase secreta.

Por isso, Leite requer a anulação da assembleia e, por consequência, a manobra que deu peso 3 às federações, num total de 81 votos, e 2 para clubes da Série A e 1 para os da Série B – que assim só poderão somar no máximo 60 pontos.

O MPF ainda não se pronunciou sobre possível abertura de inquérito para tratar o caso.

A CBF argumenta que a lei não deixa claro a obrigatoriedade da presença dos clubes nas assembleias (mesmo que não fosse, partindo do princípio que sem eles a CBF não tem razão de ser, até porque nega-se a cuidar exclusivamente da seleção e deixar a administração do futebol para quem o faz de fato, não teria sido, digamos, correto e transparente convocá-lo?) e que a nova divisão dá voz a centenas de clubes menores – aqueles que ajudam a cartolagem das federações a se perpetuar no poder.

Mas e os clubes? Até agora, nada. Dizem por aí que articulam uma reunião para discutir o que fazer, e tentar a reação. Só que estão demorando demais. Aliás, deveriam ter gritado no ato. Do jeito que agem, a impressão é de que estão gostando da mudança. pois abre para eles a possibilidade de se fazerem de vítimas indefesas.