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Romário vai ao MP pedir o cancelamento da eleição na CBF

Almir Leite

04 de abril de 2018 | 15h34

Artilheiro implacável dentro de campo, Romário, agora senador da República, voltou ao ataque contra a CBF. Depois de liderar sem muito sucesso – não por culpa dele – a CPI que investigou a entidade, ele agora tenta cancelar a eleição para a sucessão de Marco Polo del Nero, marcada para 17 de abril. Nesta quarta-feira, ele entrou com pedido de cancelamento na Procuradoria-Geral da República.

Na representação entregue ao subprocurador Geral da República, Carlos Alberto Carvalho de Vilhena Coelho,  Romário e outros parlamentares alegam que houve uma manobra da CBF ao alterar o estatuto da entidade e, assim, reduzir o peso do voto dos clubes. O documento tem 11 páginas e será repassado à Procuradora-Geral, Raquel Dodge.

“Pela simples cronologia dos fatos, e pelo histórico e modelo operacional de funcionamento da entidade, fica muito clara a manipulação continuada de seus dirigentes para que o colégio eleitoral da CBF permaneça atuando em favor do continuísmo de sua gestão, em detrimento da possibilidade de participação dos clubes e demais atores que compõem o futebol”, aponta trecho documento, também assinado pelos senadores Randolfe Rodrigues, José Medeiros, Magno Malta e pelos deputados Otávio Leite, Silvio Torres, João Derly e Ezequiel Teixeira.

Como se sabe, a eleição à presidência da CBF terá candidato único, Rogério Caboclo, diretor de gestão da entidade e de fato quem já está mandando por lá – o coronel Antonio Nunes é peça decorativa.  Del Nero costurou um  acordo com as federações estaduais que impediu o lançamento de candidaturas oposicionistas.

POSIÇÃO DA CBF.

Sobre o argumento utilizado pelo grupo liderado por Romário para pleitear o cancelamento da eleição, a CBF enviou ao blog a seguinte nota:

A CBF esclarece que a alteração estatutária levada a efeito com total regularidade por sua Assembleia Geral, e que é objeto de indagação por alguns tradicionais oponentes da entidade, cuidou de conferir direito a voto aos 20 clubes da Série B, em respeito à democratização do processo eleitoral.

Importante destacar que, enquanto a lei permitia a adoção de um sistema de peso de voto na proporção de seis para um, a CBF optou por um sistema que prevê votos de peso três, dois e um para federações estaduais, clubes da Série A e da Série B. Isso garantiu que a representatividade de clubes e federações no colégio eleitoral não fosse alterada.

Em nenhum momento houve mudança do procedimento para registro de chapa e candidatura, que se mantém íntegro e impassível de discussão judicial há décadas e que foi piamente respeitado no atual processo eleitoral. O que existe neste momento é a tentativa de confundir os assuntos, dando a impressão que houve alteração para beneficiar alguma das partes.

Por fim, neste momento cumpre registrar que, com o apoio de 93% dos clubes (37) e 93% das federações (25), torna-se absolutamente irrelevante o peso dos votos ora discutido, uma vez que a chapa registrada foi legitimada pela quase totalidade dos eleitores.

 

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